Mostrar mensagens com a etiqueta restaurantes - lisboa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta restaurantes - lisboa. Mostrar todas as mensagens

03/09/2014

restaurante - Belém 2 a 8

Em Julho decidimos ir jantar a Belém, zona de Lisboa que, regra geral, é um parque de atracções para turistas, o que apesar de ser óptimo, nos retira alguma da sensação de estar na nossa própria cidade. Lá fomos nós, experimentar o Belém 2 a 8, no espaço que antes pertencia ao Rosa dos Ventos.

O primeiro aspecto que imediatamente notámos, foi o atendimento: atenção, simpatia e profissionalismo, mas daquele natural e espontâneo que nos faz sentir em casa. 

Percebemos pela carta que o prato forte da casa são os petiscos portugueses, desde os típicos peixinhos da horta, passando pela salada de polvo. Aliás, foram estes os nossos favoritos, dos vários que experimentámos. Os peixinhos da horta crocantes e a salada de polvo irrepreensivelmente temperada, com o polvo no ponto certo. 

Em segundo lugar do top, sardinha em conserva com pimentos, escabeche de cebola e um redução de Porto saborosa, empatada com uma gulosa espetada de linguiça com ananás.

A terrina de javali com trufa também soube bem e, com menos graça, não pela confecção em si, mas pelos sabores, a salada de bacalhau e grão. Os ovos mexidos com farinheira não convenceram, não só porque este prato é sobrestimado, como pelo sal a mais que se fez sentir. Acontece.


O petisco da casa é o pastel de nata de bacalhau, que apesar de não ter sido um dos favoritos estava, de facto, muito agradável.

Além dos petiscos pode sempre optar-se pelos pratos, também eles portugueses e com os nossos sabores. 

Se lá forem, não deixem de provar o leite creme, provavelmente um dos melhores que já comemos. 

O importante a reter é que há em Lisboa um espaço simpático, agradável, com bom atendimento e bem decorado (o espaço divide-se em dois andares, o térreo com uma decoração mais jovial e colorida, o piso superior com maior sobriedade e requinte e com livros de arquitectura a tornar tudo mais interessante). Serve bons petiscos, a um preço acessível e com variedade suficiente para ir partilhando e experimentando. De notar ainda a boa selecção do vinho da casa. 

Este restaurante é uma boa montra da comida portuguesa. Não tem pretensões de ser o último grito. Antes pelo contrário, é assumidamente simples, de apresentação cuidadada e com os sabores que conhecemos e a que estamos habituados. Numa época de modas, de twists e reinterpretações da cozinha portuguesa, é uma lufada de ar fresco ver que ainda há quem se preocupe por manter as coisas como elas são. 


Raquel e João


Morada:
Rua de Belém, nº 2 a 8
Lisboa

Telefone:
21 363 9055

04/06/2014

restaurante - Este Oeste Pizza Sushi Cafe


Restaurante com pizzas e sushi? A primeira reacção é duvidar que resulte. De facto, confesso que à partida me pareceu estranho. Misturar dois mundos tão opostos, num mesmo espaço e na mesma ementa, pode ser uma ideia demasiado ambiciosa e pode facilmente correr mal.

Felizmente, o resultado é muito bom. O conceito de oposto, Este Oeste, está presente a todos os níveis, desde a disposição do espaço em que são preparados os pratos, à decoração (origamis a evocar a cultura japonesa e vasos de ervas aromáticas que nos recordam Itália - pena não serem verdadeiros), e à concretização da ementa. 

Os pratos não se contaminam uns aos outros, isto é: o que é italiano é mesmo italiano e o que é japonês também. Apenas alguns pratos são de fusão e só aí, de um modo bastante criativo, é feita a ponte entre os dois mundos. 

Já lá temos ido algumas vezes e já experimentámos um pouco de tudo. Por vezes comemos só italiano, outras misturamos, ou então, para ninguém se aborrecer quando as vontades são distintas, um come italiano e outro japonês. É quase como se fossem dois restaurantes no mesmo espaço, o que vem resolver o eterno dilema dos apetites diferentes na altura de ir jantar fora. 

E agora o que mais importa, a comida: as pizzas são excepcionais, com a massa do mais fino e crocante que há, sendo das melhores que há por Lisboa.

O sushi também é muito bom. Peixe fresco, bem cortado, em combinações simples e saborosas. No Este Oeste podemos encontrar a típica ementa italiana, saladas, massas e pizzas, os sushis e sashimis, temakis e alguns pratos para grelhar na chapa. O crostini Este Oeste, uma entrada, é a prova de que a fusão entre as duas cozinhas pode resultar: pão torrado com ceviche de vários peixes, malagueta doce, azeite de trufa e flor de sal. 

Para beber sugerimos o vinho da casa, tinto ou branco, e para sobremesa, caso ainda haja apetite, sugerimos a Este Oeste, uma mousse de oreo com fruta e com um biscoito de limão desfeito: é deliciosa.

O espaço merece outro ponto a favor. Bem organizado, convidativo quer para grupos quer para jantares mais íntimos, com uma decoração muito actual, e com a vantagem de ser no CCB e, portanto, convidar a um programa mais demorado, com visita a exposições pelo meio. Já para não falar da esplanada que vai ser sem dúvida um local de paragem obrigatória, quando os dias ficarem melhores. 

O atendimento é cuidado e simpático, o preço justo (a rondar os 20€ por pessoa). É aconselhável marcar mesa para não se ter de esperar.


Morada:
Centro Cultural de Belém
Praça do Império, 1449-003 Lisboa


Telefone:
21 590 4358



João e Raquel

01/04/2014

restaurante - nood

O nood quase que chega à categoria de sala de estar de tantas vezes que costumamos lá ir. Um espaço totalmente informal, moderno mas já ultrapassado, em tons sóbrios, com uma zona de sofás e outra de mesas corridas em jeito de cantina. 

No nood deliciamo-nos com os noodles, umas enormes taças de massa soba ou udon com sopa japonesa, que vamos mais ou menos variando. Mais ou menos porque é costume repetir um pedido: o Kare Loman, de inspiração malaia: peito de frango grelhado, com rebentos de soja, coentros e pepino numa picante sopa de caril de coco e citronela, acompanhada de lima. Foram tantas as vezes que comemos este prato, que quase o sabemos fazer.

Mas além deste, existem os ramens, igualmente deliciosos, mas de sabor menos acentuado, nas variedades vegetarianas ou com galinha. 

Mas no nood não existem apenas noodles, a carta é composta por uma diversidade de entradas (as gyosas de frango são muito boas e as asinhas de frango divinais), massas japonesas (quer a de pato, quer a de alheira, devem ser experimentadas, embora se tornem algo enjoativas depois de algumas garfadas),  pratos de arroz, sushi, sashimi e outras especialidades japonesas (estas últimas ficam em desvantagem quando comparadas com os noodles em si). As sobremesas são boas, a começar no apple crumble e a passar pela sobremesa de amendoim. 

Para beber, a sangria é saborosa e as limonadas também. 

O atendimento é muito simpático e o preço é médio (a rondar os 15€ por pessoa) O que encarece são as bebidas. Se formos numa de partilhar entradas e sobremesas custa menos aos bolsos. Vantagem? Fica perto do Bairro Alto, está aberto até tarde e tem happy hours! 


Morada:
Largo Rafael Bordalo Pinheiro
nº20 Chiado, Lisboa

Telefone:
213 474 141



Raquel


28/03/2014

Tour Gatronómica SANA Hotels #3 - River Lounge

O River Lounge, restaurante do hotel Myriad SANA, fica lado a lado com o mar da palha, na base da torre Vasco da Gama, muito embora nos tenham segredado que brevemente irá ter uma vista mais panorâmica...

O interior do restaurante, que é um espaço sofisticado e cosmopolita, lembra-nos conceitos mais nova-iorquinos, do restaurante/bar em que se pode comer bem, beber um copo e ouvir música ao mesmo tempo. 

Aliado a este ambiente singular, promovido pela decoração, espaço e conceito, temos uma carta Primavera/Verão que resume a visão do chef Frederic Breitenbucher, que descobriu Portugal em 1998. E que visão é essa? Uma postura francesa, do terroir, conceito algo complexo de traduzir em poucas palavras, mas que se prende com a geografia, geologia, orografia, clima e microclima, aliados à agricultura e vinicultura. 

O terroir, ideia em que se baseia a carta, pretende, assim, trazer da cozinha para a mesa, todos aqueles produtos que são de qualidade na Primavera. 

A nossa viagem começou com duas entradas totalmente diferentes, em sabor e conceito: uma vem do mar e outra da terra. A primeira, umas muito frescas vieiras marinadas com legumes crocantes. Uma entrada que além de muito bonita, nos remete imediatamente para a Primavera, pelo sabor fresco, floral e cítrico, com elementos coloridos a contribuir para uma apresentação geral equilibrada.


De seguida, um magret de pato fumado acompanhado de foie gras salteado e um chutney de toranja. Esta entrada, que não gerou consenso entre os dois, combinava o sabor intenso e adocicado do pato e foie gras com o amargo e penetrante da toraja.

Como o próprio chef nos explicou depois, ou se gosta ou não se gosta, e connosco aconteceu isso mesmo. Um gostou muito e achou um conjunto de sabores equilibrado, outro achou que o amargo se sobrepôs ao restante. Contudo, esta diferença de opiniões pode, provavelmente, ser explicada por outro motivo: não começámos os dois a refeição com as vieiras e a sequência de sabores resulta, obviamente, de forma diferente.


De seguida, comemos salmonete salteado com compota de funcho e crumble de azeitonas, com batata e açafrão. O peixe perfeito, e uma conjugação de boas texturas e sabores. O crumble de azeitona estava excelente, quase a parecer um caviar de azeitona. Os legumes estavam todos muito bem preparados. 


O prato de carne: porco preto com uns canellonis recheados de morchella,  cogumelos muito usados na cozinha francesa, e ervilhas. No geral, o prato era soboroso, sobretudo os canellonis, e o porco macio e tenro. 

Para sobremesa, deliciámo-nos com uma degustação Primavera que incluía diversas sobremesas distintas: tarte de maçã, suspiros, panacotta, mousse de chocolate... A eleita foi a dos suspiros com recheio de creme inglês. Estavam deliciosos, a desfazer-se na boca, e o creme era divinal!


De resto, convém sublinhar que a harmonização de vinhos foi estupenda, com uma passagem perfeita entre o primeiro e o segundo. Ficou na memória um Mar da Palha 2012, Sauvignon Blanc. 

O atendimento e serviço foram impecáveis e o chef Frederic, simpático e acessível, esteve a conversar connosco um bocadinho no final da refeição.

Para um almoço ou jantar de negócios, para um jantar em noite de copos, ou para uma saída a dois, o River Lounge adequa-se às mais variadas circunstâncias. 



João e Raquel



Morada:
Cais das Naus, Lote 2.21.01 
Parque das Nações
Lisboa 1990-173

Telefone:
211 107 600

20/03/2014

Tour Gatronómica SANA Hotels #2 - Espadarte

A semana passada embarcámos em mais uma etapa da nossa aventura gastronómica pelos restaurantes dos hotéis SANA, com o intuito de conhecermos as novas cartas de Primavera/Verão. 

A verdade é que quando temos de escolher um sítio onde ir jantar ou almoçar, nem sempre nos lembramos dos restaurantes de hotel. Não temos o hábito de frequentar este tipo de espaços, seja porque os associamos a almoços de negócios ou a turistas, seja porque nem nos ocorre que podemos lá ir, mesmo que não estejamos hospedados. Porém, podemos estar a perder uma boa oportunidade de experimentar uma cozinha de qualidade e um atendimento profissional, aliados a um espaço e decoração normalmente menos convencionais.

Se a tudo isto acrescentarmos uma localização simpática, como Sesimbra, temos o restaurante Espadarte, com o mar quase a beijar as mesas. Podemos resumir a carta e a postura do chef em poucas palavras: frescura, alimentos da região e simplicidade.

De facto, João dos Santos, que já passou pela Bica do Sapato e que agora está ao leme da cozinha do Espadarte, conjuga os seus conhecimentos em nutrição e avaliação da frescura e qualidade dos produtos de pesca na perfeição, brindando-nos com pratos com produtos locais, de confecção requintada mas sem excessos.

A nossa refeição começou com a "prata da casa": bifinhos de espadarte com escabeche de cenoura e cebola, acompanhado por uma salada de verdes (alface e rúcula) e molho de pimentos. A entrada era leve, fresca e com sabor a Verão, sublinhando que estamos numa vila piscatória.


O prato de peixe não podia desiludir e fomos presenteados com uma maravilhosa açorda de gambas e coentros com um fresquíssimo robalo, cozinhado no ponto e bem arranjado. A açorda de gambas era cremosa e leve. No prato, uma espécie de vinagrete de mostarda que conferia um sabor inesperado, completando-o.


De seguida, chegou-nos um prato menos primaveril, ainda a lembrar o Outono: lombo de veado com puré de castanhas e molho de vinho do Porto. Sabores equilibrados, carne muito tenra e um puré de castanhas exemplar em sabor e textura (muito macio). O molho de vinho do Porto estava igualmente saboroso. A acompanhar este prato, um vinho tinto acentuado, que ligava muito bem com a carne de caça: Malotojo, com uma quinta na zona de Azeitão e outra no Alentejo. Aliás, esta foi a marca que nos acompanhou durante todo o jantar. O Moscatel que bebemos com a sobremesa, era delicioso.

Por fim, a dita sobremesa: trouxa de maçã e passas e gelado de baunilha. Simples, sabores clássicos e bom contraste: maçã e canela quente e crocante e um gelado fresco e doce. Bom final para um jantar que não precisava de mais.


Uma refeição magnífica, com a simplicidade dos ingredientes frescos,  utilizando produtos bons e bem confeccionados.  Só temos pena de não ter provado uma manteiga caseira, no couvert. Certamente que seria deliciosa!

Nãos se pode pedir mais se, a tudo isto, juntarmos um atendimento profissional. 



João e Raquel 




Morada:
Av. 25 de Abril
2970-634 Sesimbra

Telefone:
 212 289 000


11/03/2014

Tour Gatronómica SANA Hotels #1 - Flor-de-Lis

No passado sábado embarcámos numa tour gastronómica pelos restaurantes dos hotéis SANA. A primeira paragem foi no restaurante Flor-de-Lis, no recém inaugurado EPIC SANA, perto das Amoreiras, que está nas mãos do Chef francês Patrick Lefeuvre. 

Patrick Lefeuvre, que conta com mais de duas décadas de experiência, chegou ao nosso país em 1997, tendo passado pela cozinha do Hotel Ritz Four Seasons, como Sub-Chef Executivo.

A primeira etapa da nossa tour, que pretende dar a conhecer as novas cartas Primavera/Verão, foi concluída com sucesso e deixa-nos na memória uma refeição inesquecível.

Comecemos pelo hotel: modernaço, imponente e arrojado, tal como o espaço do restaurante, tornando-o, por isso, num local apropriado para jantares ou almoços de negócios. Porém, embora a amplitude do restaurante se destaque, a decoração, organização do espaço e as separações em vidro, acabam por criar salas mais confortáveis e ambientes mais íntimos. 

A carta de Primavera/Verão ganha sobretudo pela excelência técnica e originalidade. O amuse bouche prepara-nos o palato para sabores fortes e marcantes: um ravioli de lingueirão, com uma espuma de marisco, servido em copo de cocktail. 



De seguida veio o primeiro prato, exuberante na apresentação e nos sabores: foie gras caramelizado, com ananás confit com especiarias, e tártaro de pato em folha de ouro branco e bronze. A combinação entre o doce e o sabor intenso do foie gras, combina bem e demora-se na boca. As texturas tiveram especial impacto e surpreenderam. A acompanhar este prato provámos um vinho de colheita tardia da Herdade dos Grous, que prolongava o sabor do prato, contrabalançando com alguma acidez. 



O segundo prato, apesar de mais simples, não em termos de confecção, mas em termos de sabor e apresentação, conquistou-nos. Peixe-galo com lagostim salteado, acompanhado de um minestrone de legumes em jus de lagostins, que vinha servido à parte. O peixe-galo estava no ponto certo, equilibrando-se perfeitamente com o lagostim e os legumes, que conferiram leveza e sabor extra ao prato. Pena a intolerância do João a marisco, que o impediu de provar este prato no seu todo. A acompanhar, bebemos um branco muito agradável.

Entre o peixe e o prato seguinte, o limpa palato remeteu-nos para os sabores mais frescos da Primavera, com aposta nos citrinos: um sorbet de tangerina com espuma de lima. 

O jantar prolongou-se com uma terrine de leitão, acompanhada de legumes biológicos e um cromesqui de topinambur (uma espécie de croquete com recheio de um vegetal semelhante à batata). O leitão estava muito macio e saboroso, depois de várias horas a cozinhar na sua própria gordura. A rematar, um molho de carne unia todos os sabores, incluindo o mais adocicado das cebolas. 


Antes da sobremesa, fomos presenteados por uma pré-sobremesa que, a nosso ver, merecia ser a principal: uma muito saborosa sericaia acompanhada de uma espécie de topping de caramelo e framboesas frescas. A sobremesa, mais vistosa, apesar de ser boa, ficou atrás: um rolo de creme de queijo por cima de um bolo de amêndoa, acompanhado de gelado, um aro de açúcar e morangos salteados em mel e manjericão. A combinação dos morangos  e do manjericão foi a vencedora deste prato.



No geral, esta primeira etapa da nossa tour correu muito bem e elevou a fasquia. Destacamos a qualidade dos vários legumes, a técnica e a combinação equilibrada de sabores. Aqui a comida é vaidosa e é suposto "comer com os olhos". Para quem não estiver habituado a jantares mais recheados ou sabores fortes, tende a ser uma carta ligeiramente pesada.

Quanto ao atendimento, absolutamente profissional e de qualidade, ficámos a conhecer a origem e método de produção dos vinhos escolhidos para a harmonização, o que foi bastante agradável. Este tipo de restaurante deve apostar em empregados de mesa que conciliem a excelência na arte de servir e receber, com a simpatia e frescura dos que são mais jovens.


Raquel e João


Morada:
Av. Engenheiro Duarte Pacheco, 15
1070-100 Lisboa

Telefone:
21 159 73 00

03/03/2014

restaurante - Claro

A edição que está a decorrer do Restaurant Week,  foi, sem dúvida, a melhor experiência que já tivemos das várias em que participámos. Porquê? Porque fomos ao Claro, cuja cozinha é comandada pelo chef Vitor Claro. 

Já nos tinham sugerido e elogiado este restaurante, pelo que sexta-feira passada lá fomos nós até à Marginal, até ao local onde era o antigo La Cocagne.

O primeiro ponto a favor é o menu proposto no âmbito do Restaurant Week. É impossível ficar indiferente, não só pela variedade, como pelo cuidado na escolha. Muitos restaurantes não aproveitam convenientemente esta montra que é o Restaurant Week para mostrar o que de melhor conseguem servir e, isso, o Claro soube fazer muito bem, demonstrando inteligência e profissionalismo.

Assim, as expectativas estavam elevadas, e o Claro não as defraudou. Logo à chegada arrancaram-nos o primeiro sorriso, pela simpatia na recepção e atendimento, que é irrepreensível. O espaço do restaurante é agradável, com uma decoração sóbria e elegante, para além de que está praticamente sobre o mar (temos de lá voltar durante o dia para apreciar devidamente esta mais-valia). 

O primeiro prato chegou com uma simpática explicação acerca da sua origem e história e, garantimos, soube-nos ainda melhor! 

Serviram-nos uma couve-de-flor cremosa que vinha acompanhada com um pormenor (ou pormaior...) delicioso: fatias de presunto enroladas num picado de ervas aromáticas. O prato da noite foi, sem sombra de dúvida, a meia codorniz de escabeche e foie gras. A codorniz estava deliciosamente cozinhada, quase se desfazia na boca, com um sabor intenso e subtil ao mesmo tempo. 

O prato de peixe estava igualmente bom, mesmo depois de a fasquia já estar imensamente elevada. A sobremesa, maçã salteada com praliné de nozes era bastante agradável. O chocolate, de diferentes sabores e texturas, fechou o jantar de forma perfeita.

A acompanhar tudo isto tivemos uma degustação de vinhos, perfeitamente harmonizada com os pratos, que começou num espumante e acabou num Porto. 

O único ponto menos positivo que podemos apontar tem que ver com a rapidez com que os pratos foram sendo servidos. O serviço era tão eficaz que não nos pudemos demorar entre os pratos para os intercalar com mais conversa e os saborear melhor. De resto, percebemos que assim seja por se tratar de um menu de degustação e ter de estar tudo cronometrado. 

O Claro foi, claramente (!), um dos melhores restaurantes onde já estivemos. Há sítios que marcam mesmo a diferença e este é um deles. Para além do profissionalismo e simpatia, a comida é exemplarmente preparada,  resultando em pratos sóbrios, elegantes, sem demasiado espectáculo, mas perfeitos no sabor, texturas e apresentação.

Certamente que voltaremos para nos deliciarmos com outros menus (que variam entre os 20€ e os 65€). Qualquer um deles está adaptado à altura do ano e aos ingredientes da época.



Raquel e João



Morada:
Av. Marginal, Curva dos Pinheiros, Hotel Solar Palmeiras
2780-749 Paço de Arcos

Telefone:
214 414 231

21/10/2013

restaurante - Tasca Urso

No charmoso Príncipe Real fica este espaço de nome caricato. A Tasca Urso, que de tasca só tem mesmo os petiscos.

Divida em três salas distintas, quatro se contarmos com a área da entrada, a tasca oferece possibilidades várias conforme o tipo de refeição que se for tomar. Uma sala mais espaçosa e luminosa, uma sala intermédia entre o interior e o exterior, mais apropriada para jantares a dois ou mais íntimos, e um espaço exterior para as noites quentes. A decoração é engraçada, remetendo-nos para outros tempos. 

A carta é composta por petiscos variados, desde peixinhos da horta, filetes de polvo com arroz de polvo, pica-pau, pataniscas de bacalhau com molho de iogurte, morcela, e por aí fora. 

Optámos por pedir um mil folhas de bacalhau e favinhas com enchidos. O primeiro era bom, e fazia jus ao nome de mil folhas, com uns triângulos de massa folhada recheados de creme de bacalhau acompanhados por uma pequena salada. Mas o tachinho que veio para a mesa com as favinhas e enchidos é que foi uma agradável surpresa. Bem temperado, saboroso e reconfortante. 

Bebemos uma sangria branca simpática.

O atendimento é informal e os preços são a parte menos boa da refeição. Sem cafés nem sobremesas, mas com couvert (requeijão, noz, doce de abóbora e pão), pagámos quase 40€. 

Tenham atenção que nesta zona o estacionamento é um problema. Se forem de carro contem com uns bons minutos à procura de lugar. Aconselhamos a que façam reserva. 


Raquel


Morada:
Rua Monte Olivete, 32 A
1200-280 Príncipe Real

Telefone:
96 290 22 34

18/06/2013

restaurante - 100 maneiras

Este ano, à semelhança do anterior, decidimos comemorar o aniversário do João num restaurante cujo responsável pela cozinha fosse um chef de reconhecido mérito. Em terras de sua majestade optámos pelo Claridge's do Ramsay e este ano pelo 100 maneiras, do Ljubomir Stanisic.  

O restaurante 100 maneiras (não confundir com o Bistro 100 maneiras, do mesmo chef) funciona com um único menu de degustação que muda ao longo do ano, conforme a estação. Em Abril calhou-nos o menu de Primavera, composto por sete pratos, uma trilogia de sobremesas e ainda uma outra final. 

Tivemos de esperar pelas 22h para jantar visto que, sendo o espaço relativamente pequeno, só foi possível reservar na segunda ronda de jantares. A hora tardia não nos incomodou. Chegámos ao Bairro Alto e deparámo-nos com um espaço diferente do expectável: pequeno, como já referido, sóbrio mas simples, com o principal senão a ser a curta distância entre as mesas.  Contudo, o espaço não deixa de ser simpático.

Assim que nos sentámos o Sommelier pôs-nos a par das melhores escolhas para acompanhar o menu, e optámos por dois copos de vinho, um tinto e um branco, ao invés do menu de degustação de vinhos que iria encarecer o jantar. 

O menu começou com a marca da casa, o conhecido "estendal do bairro". Desde o sabor, passando pela textura e apresentação, esta é, sem sombra de dúvida, uma marca merecida. É composto por meia dúzia de lascas de bacalhau com uma textura imensamente crocante, pelo que o bacalhau se desfaz na boca. Os pedaços vêm pendurados com umas pequenas molas num estendal que faz um prato muito giro. Aliás, todos os pratos que nos serviram tinham uma apresentação original e irrepreensível, a começar pelo próprio design do prato em si. A acompanhar o bacalhau veio um molho à base de pimento e outro de alho e coentros, ambos muito bons.

Depois de mais duas entradas, provámos algo maravilhoso: pato fumado com uma geleia de vinho da Madeira e lasca de foie gras. Este foi sem dúvida um dos pontos altos do jantar dada a explosão de sabor absolutamente divinal que este prato consegue provocar. 

Antes de limparmos o palato com um gin original e muito agradável, ainda degustámos outro prato, desta feita de peixe. 

Aquele que seria outro ponto alto do jantar, o risotto de maçã com bochecha de vitela só foi apreciado pelo João. Ficámos divididos: o João gostou muito, e eu achei a carne muito gorda e o risotto imensamente ácido. De facto, foi pena que o último prato antes das sobremesas me deixasse um sabor menos simpático na boca. 

A sobremesa foi agradável, sobretudo tendo em conta a forma como veio apresentada, com a trilogia disposta numa espécie de tronco de árvore com fumo a envolver tudo. 

Quanto ao atendimento há pouco a dizer, foi eficiente e cuidadoso como seria de esperar. Curiosamente, achámos mais profissionais as empregadas de mesa, comparativamente ao Sommelier e àquele que julgámos ser o chefe de sala. De ressalvar a simpatia durante o processo de reserva de mesa (via email e telefone).

O preço? Cada menu custa 45€ por pessoa, o vinho, cafés e água são pagos à parte.


Raquel

08/05/2013

restaurante - Malaca Too

No outro dia fomos até ao Lx Factory à hora de almoço. A ideia era ir a um sítio, mas como estava fechado acabámos por entrar no Malaca Too, que também tem entrada na Livraria Ler Devagar. O espaço e a carta já nos tinham chamado a atenção noutras alturas e desta vez entrámos. 
 
O Malaca é um conceito que resulta, a começar pelo espaço (uma antiga fábrica) que funciona junto de uma livraria, com uma decoração simples e sóbria, em que nos servem  despretensiosamente.

A comida, de aromas intensos e sabores fortes é bastante reconfortante. A carta é à base de comida asiática, de influência de diversos países. Enquanto nos entretemos a explorar a ementa, podemos ir lendo umas curiosidades sobre a presença portuguesa no Oriente.

Ao almoço podemos optar por pedir à carta, prato do dia ou menu de almoço. Optámos pelo último: por 10€ temos direito a um prato (à escolha entre dois), uma bebida e uma sobremesa (à escolha entre várias). 

A comida é bastante simples e agradável, sem grandes surpresas é certo. O caril de legumes e lentilhas acompanhado por naan, arroz e pepino foi uma boa escolha. O copo de vinho que nos servem podia ser de melhor qualidade, pois o sabor a vinho de pacote (ou algo muito semelhante) acaba por diminuir a intensidade da restante refeição. A mousse de manga é muito, muito boa. 

Estamos desconfiados que temos de lá voltar para jantar, só que para a próxima pedir à carta e provar uns pratos mais elaborados. Ficaram por experimentar umas entradas que nos pareceram boas.

Quando entrar, se ficar vários minutos à espera de ser recebido, não desanime. O atendimento vai melhorando. 


Raquel


Morada
Rua Rodrigues Faria, 103, 
1300 Lisboa

Telefone
96 710 41 42
91 636 85 57

10/04/2013

restaurante - Pedro e o Lobo


Pelo segundo ano consecutivo fomos ao Pedro e o Lobo no âmbito do evento restaurant week e, neste caso, há duas sem três.

A escolha recaiu por duas vezes sobre este restaurante em grande parte devido às ementas apelativas que apresentou (a deste ano era toda com pratos que fazem mesmo parte do menu do restaurante). Mas, no final do almoço, ficámos com a sensação de que faltava alguma coisa. E desta última vez, isso acentuou-se.

No ano passado fomos agradavelmente surpreendidos pela entrada e sobremesa, que eram soberbas, sendo que o prato principal ficou aquém daquilo que se esperava. 

Este ano regressámos seduzidos pela ementa e pela memória da entrada e sobremesa do ano anterior. Contudo, saímos de lá desiludidos: não houve nada que tornasse o almoço especial.

Não é que os pratos fossem maus ou mal confeccionados, o problema é que eram demasiado neutros, faltando-lhes intensidade, personalidade e cor (está tudo bem empratado e com óptimo aspecto, mas o sabor...). Estão a um passo de serem muito bons e memoráveis, o que torna tudo mais frustrante. “Falta-lhes um bocadinho assim...”

O atendimento faz parte do problema também,  não condiz com o tipo de restaurante que é, ou que pretende ser (falta brio, profissionalismo e um serviço menos demorado).

De resto, a localização é excelente, pois fica bem no centro da cidade. O espaço é requintado, bem decorado, com cores sóbrias e adultas. Infelizmente, a música demasiado alta perturba o bom ambiente.

Resumidamente, só encontramos duas explicações: a primeira é a que este restaurante parece esquecer-se que o restaurant week funciona como uma montra (ou seja, convém que corra tudo bem para que se queira lá voltar e pagar mais); a segunda, é que precisa de uma reviravolta no atendimento e na concepção de alguns pratos.


João e Raquel


Morada
Rua do Salitre, nº 169
1250-199 Lisboa

Telefone
21 193 37 19