14/04/2014

truques e dicas - comprar peixe fresco

Preparar uma refeição com peixe fresco, verdadeiramente fresco, faz toda a diferença no resultado final de um prato. Um bom peixe, fresco e bem preparado, é das melhores coisas que nos podem servir e, normalmente, as versões mais simples são as mais felizes.

No que nos diz respeito comemos peixe menos vezes do que aquelas que gostaríamos. Lá está, para cozinhar peixe e tê-lo fresco, evitando recorrer ao congelado, é preciso preparar com antecedência a refeição para garantir que encontramos o peixe que queremos e que o vamos cozinhar naquele dia.

Comprar bom peixe é uma tarefa que requer alguma experiência, e nem sempre temos disponibilidade e paciência para fazer uma compra/escolha ponderada.

Para aqueles que como nós querem tentar mudar esta tendência e introduzir mais peixe nas refeições habituais, aqui ficam umas preciosas dicas partilhadas pela Fileira do Pescado (uma união de organizações e empresas no sector do pescado que o pretende dinamizar e reforçar o papel das pescas como motor da economia portuguesa) que tem disponíveis no seu site alguns guias práticos bastante úteis.

Aqui fica um apanhado do que nos pareceu mais importante:

-A compra deverá ocorrer logo pela manhã, uma vez que é nesta altura que se conseguem adquirir os melhores produtos.

-Durante a exposição dos produtos da pesca frescos, estes deverão estar acondicionados em gelo, distribuído uniformemente por todo o pescado.

- Os filetes de peixe devem apresentar-se com carne firme e brilhante, sem extremidades escuras ou secas.

- Os produtos da pesca frescos deverão ser os últimos a ser comprados, uma vez que são produtos perecíveis.

Quanto ao aspecto do peixe...

- Deve ter um cheiro agradável e suave a maresia. Recuse o peixe se este apresentar um odor demasiado intenso ou amoniacal.

Pele com uma pigmentação viva e brilhante, sem descoloração e escamas brilhantes. Com o passar do tempo a pele tem tendência para ficar baça, o muco opaco e as escamas despendem-se com facilidade.

- Olhos salientes, a córnea transparente e a pupila negra brilhante. O peixe já não estará nas melhores condições quando os olhos se 
apresentarem afundados, a córnea opaca e a pupila acinzentada.

- Guelras vermelhas, brilhantes e sem muco. Com o decorrer do tempo ficam acastanhadas e com muco opaco e viscoso.

- Carne firme e elástica. Pouco a pouco amolece e perde elasticidade, persistindo as marcas de pressão. Junto à coluna vertebral fica com uma coloração avermelhada.

-  A coluna vertebral quebra-se em vez de se despegar.

- A cavidade abdominal deve estar intacta sem as vísceras a aparecer no exterior.

- A membrana que cobre a parede abdominal adere totalmente.


É normal que no momento da compra não seja possível verificar todas estas condições, mas se repararmos no cheiro, na pigmentação, olhos e guelras, já ajuda.



No que toca a bivalves os cuidados devem ser outros, pelo que devem:

- Ser expostos à venda vivos, com valvas fechadas, oferecendo resistência à abertura e, se abertos, reacção rápida ao mais leve estímulo, fechando as valvas (conchas).

- Ter líquido no interior das conchas incolor e límpido.

- Apresentar cheiro agradável e pronunciado.

-Ter a carne húmida, bem aderente à concha, de aspecto esponjoso, de cor cinza-claro nas ostras e amarelada nos mexilhões.


Já as lulas e polvos devem:

- Ter a pele lisa e húmida.

- Contar com olhos vivos, salientes.

Ter carne consistente e elástica.

- Apresentar a ausência de qualquer pigmentação estranha à espécie.

- Apresentar cheiro próprio e agradável.

- O polvo tem coloração característica acinzentada a levemente rosada.

- Na lula, a coloração característica do produto fresco é clara e levemente rosada.


Importante:
Polvos e lulas não devem apresentar coloração vermelha ou roxa, principalmente na parte interna dos tentáculos.



Raquel

10/04/2014

Tour Gastronómica SANA Hotels #4 - O Lisbonense

No fim-de-semana passado terminámos a nossa tour gastronómica por alguns dos hotéis do grupo SANA nas Caldas da Rainha, naquele que é, para nós, o mais bonito dos quatro hotéis que visitámos.  

O SANA Silver Coast Hotel dá agora nome àquele que foi, em tempos, o Grande Hotel Lisbonense, de elevada importância histórica na região do Oeste e, concretamente, na cidade das Caldas da Rainha que recebia nos anos 70 do século XIX inúmeros visitantes vindos da capital, incluindo a família real.

Hoje, remodelado e novamente aberto ao público, o hotel emprestou o seu histórico nome ao restaurante comandado pelo chef Vasco Sampaio. Experiente na gastronomia portuguesa, tem trabalhado pelo país descobrindo as nossas raízes e tradições, aplicando depois os conhecimentos às suas cartas, que procuram ser sempre pautadas por produtos regionais. 

Como teaser da carta Primavera/Verão do restaurante, provámos o amuse bouche do dia, um crocante de sapateira e legumes, algas salteadas com sésamo e um coulis de manga, de inspiração algo asiática, cozinha que é também de eleição para o chef.


De seguida, deliciámo-nos com uma entrada que combinou cogumelos selvagens e requeijão. Os cogumelos, cada um com textura e sabor diferentes, foram completados com um creme de requeijão morno que homogeneizava o prato. Com uma apresentação cuidada, resultou num prato bastante agradável.


O prato principal combinou dois sabores do mar: linguado e lingueirão, com um molho de pimentos e rebentos de lentilha, se é que assim lhes podemos chamar. Além de uma apresentação sublime, o linguado era muito fresco, sendo este um prato principal verdadeiramente delicioso que nos deixou curiosos em relação à restante carta.


O pomar e a horta, foi o conceito da sobremesa criada pelo chef Vasco Sampaio. Para o João, uma das melhores sobremesas que já provou: gelado de poejo, tomate cherry doce e pó de azeite aromatizado, a acompanhar um bolo quente de maçã de Alcobaça, amêndoa e côco. 



De resto, destacamos o couvert, com pão fresquissímo (o de sementes era mesmo muito bom), e uma manteiga de pimentas muito saborosa!

O atendimento foi simpático e o espaço do restaurante é igualmente agradável.


Raquel e João


Morada:
Av. Dom Manuel Figueira Freire da Câmara
2500-184 Caldas da Rainha

Telefone:
262 000 600

01/04/2014

restaurante - nood

O nood quase que chega à categoria de sala de estar de tantas vezes que costumamos lá ir. Um espaço totalmente informal, moderno mas já ultrapassado, em tons sóbrios, com uma zona de sofás e outra de mesas corridas em jeito de cantina. 

No nood deliciamo-nos com os noodles, umas enormes taças de massa soba ou udon com sopa japonesa, que vamos mais ou menos variando. Mais ou menos porque é costume repetir um pedido: o Kare Loman, de inspiração malaia: peito de frango grelhado, com rebentos de soja, coentros e pepino numa picante sopa de caril de coco e citronela, acompanhada de lima. Foram tantas as vezes que comemos este prato, que quase o sabemos fazer.

Mas além deste, existem os ramens, igualmente deliciosos, mas de sabor menos acentuado, nas variedades vegetarianas ou com galinha. 

Mas no nood não existem apenas noodles, a carta é composta por uma diversidade de entradas (as gyosas de frango são muito boas e as asinhas de frango divinais), massas japonesas (quer a de pato, quer a de alheira, devem ser experimentadas, embora se tornem algo enjoativas depois de algumas garfadas),  pratos de arroz, sushi, sashimi e outras especialidades japonesas (estas últimas ficam em desvantagem quando comparadas com os noodles em si). As sobremesas são boas, a começar no apple crumble e a passar pela sobremesa de amendoim. 

Para beber, a sangria é saborosa e as limonadas também. 

O atendimento é muito simpático e o preço é médio (a rondar os 15€ por pessoa) O que encarece são as bebidas. Se formos numa de partilhar entradas e sobremesas custa menos aos bolsos. Vantagem? Fica perto do Bairro Alto, está aberto até tarde e tem happy hours! 


Morada:
Largo Rafael Bordalo Pinheiro
nº20 Chiado, Lisboa

Telefone:
213 474 141



Raquel


28/03/2014

Tour Gatronómica SANA Hotels #3 - River Lounge

O River Lounge, restaurante do hotel Myriad SANA, fica lado a lado com o mar da palha, na base da torre Vasco da Gama, muito embora nos tenham segredado que brevemente irá ter uma vista mais panorâmica...

O interior do restaurante, que é um espaço sofisticado e cosmopolita, lembra-nos conceitos mais nova-iorquinos, do restaurante/bar em que se pode comer bem, beber um copo e ouvir música ao mesmo tempo. 

Aliado a este ambiente singular, promovido pela decoração, espaço e conceito, temos uma carta Primavera/Verão que resume a visão do chef Frederic Breitenbucher, que descobriu Portugal em 1998. E que visão é essa? Uma postura francesa, do terroir, conceito algo complexo de traduzir em poucas palavras, mas que se prende com a geografia, geologia, orografia, clima e microclima, aliados à agricultura e vinicultura. 

O terroir, ideia em que se baseia a carta, pretende, assim, trazer da cozinha para a mesa, todos aqueles produtos que são de qualidade na Primavera. 

A nossa viagem começou com duas entradas totalmente diferentes, em sabor e conceito: uma vem do mar e outra da terra. A primeira, umas muito frescas vieiras marinadas com legumes crocantes. Uma entrada que além de muito bonita, nos remete imediatamente para a Primavera, pelo sabor fresco, floral e cítrico, com elementos coloridos a contribuir para uma apresentação geral equilibrada.


De seguida, um magret de pato fumado acompanhado de foie gras salteado e um chutney de toranja. Esta entrada, que não gerou consenso entre os dois, combinava o sabor intenso e adocicado do pato e foie gras com o amargo e penetrante da toraja.

Como o próprio chef nos explicou depois, ou se gosta ou não se gosta, e connosco aconteceu isso mesmo. Um gostou muito e achou um conjunto de sabores equilibrado, outro achou que o amargo se sobrepôs ao restante. Contudo, esta diferença de opiniões pode, provavelmente, ser explicada por outro motivo: não começámos os dois a refeição com as vieiras e a sequência de sabores resulta, obviamente, de forma diferente.


De seguida, comemos salmonete salteado com compota de funcho e crumble de azeitonas, com batata e açafrão. O peixe perfeito, e uma conjugação de boas texturas e sabores. O crumble de azeitona estava excelente, quase a parecer um caviar de azeitona. Os legumes estavam todos muito bem preparados. 


O prato de carne: porco preto com uns canellonis recheados de morchella,  cogumelos muito usados na cozinha francesa, e ervilhas. No geral, o prato era soboroso, sobretudo os canellonis, e o porco macio e tenro. 

Para sobremesa, deliciámo-nos com uma degustação Primavera que incluía diversas sobremesas distintas: tarte de maçã, suspiros, panacotta, mousse de chocolate... A eleita foi a dos suspiros com recheio de creme inglês. Estavam deliciosos, a desfazer-se na boca, e o creme era divinal!


De resto, convém sublinhar que a harmonização de vinhos foi estupenda, com uma passagem perfeita entre o primeiro e o segundo. Ficou na memória um Mar da Palha 2012, Sauvignon Blanc. 

O atendimento e serviço foram impecáveis e o chef Frederic, simpático e acessível, esteve a conversar connosco um bocadinho no final da refeição.

Para um almoço ou jantar de negócios, para um jantar em noite de copos, ou para uma saída a dois, o River Lounge adequa-se às mais variadas circunstâncias. 



João e Raquel



Morada:
Cais das Naus, Lote 2.21.01 
Parque das Nações
Lisboa 1990-173

Telefone:
211 107 600

25/03/2014

novidades e sugestões - Lisboa sobre Rodas

Provavelmente, os nomes Hot Dog Lovers, BANANACAFE, A Frigideira de Bairro, Hamburgueria e Wasabi, não vos são estranhos. São cinco projectos diferentes, todos na área da gastronomia, com uma abordagem urbana, descontraída e descomplicada, a preços simpáticos.

De cachorros quentes, a petiscos e salgados, passando pelos hambúrgueres e comida de inspiração japonesa, estas cinco marcas e jovens empresas já fazem parte da cidade lisboeta, e agora uniram-se em torno de uma ideia comum, que teve o apoio da Câmara Municipal de Lisboa: Lisboa Sobre Rodas

O que é, então, o Lisboa Sobre Rodas? Uma boa ideia, resumidamente. Alia duas tendências actuais: comida e a cidade lisboeta, resultando em street food.

Este projecto, que visa levar a determinados locais da capital estas roulottes dos tempos modernos, oferece a quem passa a possibilidade de uma refeição rápida e saborosa, seja para levar, comer pelo caminho, seja para saborear num banco de jardim ou nas mesas disponíveis.  

A novidade? As carrinhas irão rodar a sua localização, de segunda a sexta, entre as Amoreiras, Cais do Sodré, Campo Grande, Entrecampos e Saldanha. 

De quinta a sábado, a partir das 20h e até às 2h da manhã, as cinco carrinhas reúnem-se no topo do Parque Eduardo VII, criando um novo espaço de refeição, com uma esplanada com capacidade para cerca de 200 pessoas. Esta é, provavelmente, uma das mais-valias desta ideia na medida em que vem dar vida a uma zona da cidade que, para além de ser bonita, está um tanto ou quanto apagada.

Ao domingo, uma destas carrinhas irá estacionar em Monsanto, oferecendo às famílias (sobretudo), uma hipótese de almoço/lanche.

Só falta mesmo uma carrinha com sobremesas e, nas noites em que estacionam no Parque Eduardo VII, uma casa de banho pública. Porque não uma carrinha gira e decorada para o efeito? 



(fotografias cedidas pela organização)


Raquel

20/03/2014

Tour Gatronómica SANA Hotels #2 - Espadarte

A semana passada embarcámos em mais uma etapa da nossa aventura gastronómica pelos restaurantes dos hotéis SANA, com o intuito de conhecermos as novas cartas de Primavera/Verão. 

A verdade é que quando temos de escolher um sítio onde ir jantar ou almoçar, nem sempre nos lembramos dos restaurantes de hotel. Não temos o hábito de frequentar este tipo de espaços, seja porque os associamos a almoços de negócios ou a turistas, seja porque nem nos ocorre que podemos lá ir, mesmo que não estejamos hospedados. Porém, podemos estar a perder uma boa oportunidade de experimentar uma cozinha de qualidade e um atendimento profissional, aliados a um espaço e decoração normalmente menos convencionais.

Se a tudo isto acrescentarmos uma localização simpática, como Sesimbra, temos o restaurante Espadarte, com o mar quase a beijar as mesas. Podemos resumir a carta e a postura do chef em poucas palavras: frescura, alimentos da região e simplicidade.

De facto, João dos Santos, que já passou pela Bica do Sapato e que agora está ao leme da cozinha do Espadarte, conjuga os seus conhecimentos em nutrição e avaliação da frescura e qualidade dos produtos de pesca na perfeição, brindando-nos com pratos com produtos locais, de confecção requintada mas sem excessos.

A nossa refeição começou com a "prata da casa": bifinhos de espadarte com escabeche de cenoura e cebola, acompanhado por uma salada de verdes (alface e rúcula) e molho de pimentos. A entrada era leve, fresca e com sabor a Verão, sublinhando que estamos numa vila piscatória.


O prato de peixe não podia desiludir e fomos presenteados com uma maravilhosa açorda de gambas e coentros com um fresquíssimo robalo, cozinhado no ponto e bem arranjado. A açorda de gambas era cremosa e leve. No prato, uma espécie de vinagrete de mostarda que conferia um sabor inesperado, completando-o.


De seguida, chegou-nos um prato menos primaveril, ainda a lembrar o Outono: lombo de veado com puré de castanhas e molho de vinho do Porto. Sabores equilibrados, carne muito tenra e um puré de castanhas exemplar em sabor e textura (muito macio). O molho de vinho do Porto estava igualmente saboroso. A acompanhar este prato, um vinho tinto acentuado, que ligava muito bem com a carne de caça: Malotojo, com uma quinta na zona de Azeitão e outra no Alentejo. Aliás, esta foi a marca que nos acompanhou durante todo o jantar. O Moscatel que bebemos com a sobremesa, era delicioso.

Por fim, a dita sobremesa: trouxa de maçã e passas e gelado de baunilha. Simples, sabores clássicos e bom contraste: maçã e canela quente e crocante e um gelado fresco e doce. Bom final para um jantar que não precisava de mais.


Uma refeição magnífica, com a simplicidade dos ingredientes frescos,  utilizando produtos bons e bem confeccionados.  Só temos pena de não ter provado uma manteiga caseira, no couvert. Certamente que seria deliciosa!

Nãos se pode pedir mais se, a tudo isto, juntarmos um atendimento profissional. 



João e Raquel 




Morada:
Av. 25 de Abril
2970-634 Sesimbra

Telefone:
 212 289 000


11/03/2014

Tour Gatronómica SANA Hotels #1 - Flor-de-Lis

No passado sábado embarcámos numa tour gastronómica pelos restaurantes dos hotéis SANA. A primeira paragem foi no restaurante Flor-de-Lis, no recém inaugurado EPIC SANA, perto das Amoreiras, que está nas mãos do Chef francês Patrick Lefeuvre. 

Patrick Lefeuvre, que conta com mais de duas décadas de experiência, chegou ao nosso país em 1997, tendo passado pela cozinha do Hotel Ritz Four Seasons, como Sub-Chef Executivo.

A primeira etapa da nossa tour, que pretende dar a conhecer as novas cartas Primavera/Verão, foi concluída com sucesso e deixa-nos na memória uma refeição inesquecível.

Comecemos pelo hotel: modernaço, imponente e arrojado, tal como o espaço do restaurante, tornando-o, por isso, num local apropriado para jantares ou almoços de negócios. Porém, embora a amplitude do restaurante se destaque, a decoração, organização do espaço e as separações em vidro, acabam por criar salas mais confortáveis e ambientes mais íntimos. 

A carta de Primavera/Verão ganha sobretudo pela excelência técnica e originalidade. O amuse bouche prepara-nos o palato para sabores fortes e marcantes: um ravioli de lingueirão, com uma espuma de marisco, servido em copo de cocktail. 



De seguida veio o primeiro prato, exuberante na apresentação e nos sabores: foie gras caramelizado, com ananás confit com especiarias, e tártaro de pato em folha de ouro branco e bronze. A combinação entre o doce e o sabor intenso do foie gras, combina bem e demora-se na boca. As texturas tiveram especial impacto e surpreenderam. A acompanhar este prato provámos um vinho de colheita tardia da Herdade dos Grous, que prolongava o sabor do prato, contrabalançando com alguma acidez. 



O segundo prato, apesar de mais simples, não em termos de confecção, mas em termos de sabor e apresentação, conquistou-nos. Peixe-galo com lagostim salteado, acompanhado de um minestrone de legumes em jus de lagostins, que vinha servido à parte. O peixe-galo estava no ponto certo, equilibrando-se perfeitamente com o lagostim e os legumes, que conferiram leveza e sabor extra ao prato. Pena a intolerância do João a marisco, que o impediu de provar este prato no seu todo. A acompanhar, bebemos um branco muito agradável.

Entre o peixe e o prato seguinte, o limpa palato remeteu-nos para os sabores mais frescos da Primavera, com aposta nos citrinos: um sorbet de tangerina com espuma de lima. 

O jantar prolongou-se com uma terrine de leitão, acompanhada de legumes biológicos e um cromesqui de topinambur (uma espécie de croquete com recheio de um vegetal semelhante à batata). O leitão estava muito macio e saboroso, depois de várias horas a cozinhar na sua própria gordura. A rematar, um molho de carne unia todos os sabores, incluindo o mais adocicado das cebolas. 


Antes da sobremesa, fomos presenteados por uma pré-sobremesa que, a nosso ver, merecia ser a principal: uma muito saborosa sericaia acompanhada de uma espécie de topping de caramelo e framboesas frescas. A sobremesa, mais vistosa, apesar de ser boa, ficou atrás: um rolo de creme de queijo por cima de um bolo de amêndoa, acompanhado de gelado, um aro de açúcar e morangos salteados em mel e manjericão. A combinação dos morangos  e do manjericão foi a vencedora deste prato.



No geral, esta primeira etapa da nossa tour correu muito bem e elevou a fasquia. Destacamos a qualidade dos vários legumes, a técnica e a combinação equilibrada de sabores. Aqui a comida é vaidosa e é suposto "comer com os olhos". Para quem não estiver habituado a jantares mais recheados ou sabores fortes, tende a ser uma carta ligeiramente pesada.

Quanto ao atendimento, absolutamente profissional e de qualidade, ficámos a conhecer a origem e método de produção dos vinhos escolhidos para a harmonização, o que foi bastante agradável. Este tipo de restaurante deve apostar em empregados de mesa que conciliem a excelência na arte de servir e receber, com a simpatia e frescura dos que são mais jovens.


Raquel e João


Morada:
Av. Engenheiro Duarte Pacheco, 15
1070-100 Lisboa

Telefone:
21 159 73 00

07/03/2014

truques e dicas - limpar o interior do microondas

Para algumas pessoas, a limpeza do forno e do microondas é daquelas tarefas super aborrecidas, com a dificuldade de que nem todos os produtos de limpeza são apropriados.

Deixamos uma dica muito simples de como limpar o interior do microondas em cerca de 10 minutos, com um produto super natural à base de água e sumo de limão!

Basta ter um recipiente que possa ir ao microondas, enchê-lo com água até metade, espremer limão e deixar as metades do limão dentro da mistura. Depois, basta levar ao microondas durante 3 minutos numa potência elevada e deixar que o vapor desengordure as paredes e ajude a remover os restos (o recipiente deve ir sem tampa).

Depois dos 3 minutos, espere mais 5 minutos sem abrir a porta do microondas para deixar que o vapor faça o seu trabalho e para não se queimar.

Abra a porta do microondas e retire o recipiente com cuidado (a água e limão devem estar muito quentes) e com um pano seco comece por limpar o tecto, paredes e prato giratório, deixando para o fim o chão do microondas. Caso haja alguma sujidade mais persistente, humedeça a ponta do pano na mistura de água e limão e limpe!




Raquel

03/03/2014

restaurante - Claro

A edição que está a decorrer do Restaurant Week,  foi, sem dúvida, a melhor experiência que já tivemos das várias em que participámos. Porquê? Porque fomos ao Claro, cuja cozinha é comandada pelo chef Vitor Claro. 

Já nos tinham sugerido e elogiado este restaurante, pelo que sexta-feira passada lá fomos nós até à Marginal, até ao local onde era o antigo La Cocagne.

O primeiro ponto a favor é o menu proposto no âmbito do Restaurant Week. É impossível ficar indiferente, não só pela variedade, como pelo cuidado na escolha. Muitos restaurantes não aproveitam convenientemente esta montra que é o Restaurant Week para mostrar o que de melhor conseguem servir e, isso, o Claro soube fazer muito bem, demonstrando inteligência e profissionalismo.

Assim, as expectativas estavam elevadas, e o Claro não as defraudou. Logo à chegada arrancaram-nos o primeiro sorriso, pela simpatia na recepção e atendimento, que é irrepreensível. O espaço do restaurante é agradável, com uma decoração sóbria e elegante, para além de que está praticamente sobre o mar (temos de lá voltar durante o dia para apreciar devidamente esta mais-valia). 

O primeiro prato chegou com uma simpática explicação acerca da sua origem e história e, garantimos, soube-nos ainda melhor! 

Serviram-nos uma couve-de-flor cremosa que vinha acompanhada com um pormenor (ou pormaior...) delicioso: fatias de presunto enroladas num picado de ervas aromáticas. O prato da noite foi, sem sombra de dúvida, a meia codorniz de escabeche e foie gras. A codorniz estava deliciosamente cozinhada, quase se desfazia na boca, com um sabor intenso e subtil ao mesmo tempo. 

O prato de peixe estava igualmente bom, mesmo depois de a fasquia já estar imensamente elevada. A sobremesa, maçã salteada com praliné de nozes era bastante agradável. O chocolate, de diferentes sabores e texturas, fechou o jantar de forma perfeita.

A acompanhar tudo isto tivemos uma degustação de vinhos, perfeitamente harmonizada com os pratos, que começou num espumante e acabou num Porto. 

O único ponto menos positivo que podemos apontar tem que ver com a rapidez com que os pratos foram sendo servidos. O serviço era tão eficaz que não nos pudemos demorar entre os pratos para os intercalar com mais conversa e os saborear melhor. De resto, percebemos que assim seja por se tratar de um menu de degustação e ter de estar tudo cronometrado. 

O Claro foi, claramente (!), um dos melhores restaurantes onde já estivemos. Há sítios que marcam mesmo a diferença e este é um deles. Para além do profissionalismo e simpatia, a comida é exemplarmente preparada,  resultando em pratos sóbrios, elegantes, sem demasiado espectáculo, mas perfeitos no sabor, texturas e apresentação.

Certamente que voltaremos para nos deliciarmos com outros menus (que variam entre os 20€ e os 65€). Qualquer um deles está adaptado à altura do ano e aos ingredientes da época.



Raquel e João



Morada:
Av. Marginal, Curva dos Pinheiros, Hotel Solar Palmeiras
2780-749 Paço de Arcos

Telefone:
214 414 231

24/02/2014

não percebemos muito de vinhos, mas este soube-nos bem #7


(http://www.ravasqueira.com)

Fonte da Serrana (branco, o tinto também é bom)
Alentejo
2012
2,99€ (preço médio)


Raquel e João

20/02/2014

novidades e sugestões - Comidas do Mundo no Campo Pequeno - com passatempo!

Hoje abre portas no Campo Pequeno a primeira edição de um evento totalmente dedicado às Comidas do Mundo

Já imaginaram o que é reunir, no mesmo espaço e durante 4 dias, 10 chefs, 10 tipos de gastronomia, cada um de um diferente país, e menus de degustação que variam todos os dias? 

Pois é, se já estão com água na boca, e gostam de viajar sem sair do mesmo sítio, um salto ao Campo Pequeno a partir das 19h de hoje e até ao final de segunda-feira, dia 24, é meio caminho para passar um bom bocado e experimentar do melhor que se cozinha por esses países fora, pelas mãos de verdadeiros entendidos na matéria. 

De facto, hoje em dia e cada vez mais, temos a possibilidade de experimentar, ver, provar e conhecer, do mais saboroso que se faz em Portugal e no mundo. Este tipo de eventos faz com que comer bem já não seja uma possibilidade inacessível a muitos.

Caso queiram aproveitar as iguarias preparadas pelos chefs, saibam que cada um terá um menu de degustação por dia e diversos pratos inspirados no país por si escolhido. Alexandre Silva (Itália), Bertílio Gomes (Marrocos), Chakall (Peru), Paulo Morais (Japão), Marlene Vieira e João Sá (E.U.A.), Kiko (Argentina), Vitor Esteves (Dieta Mediterrânea), Luis Baena (Cozinha Ibérica), António Alexandre (Alemanha) e, Nuno Bergonse (Portugal) são os 10 chefs convidados. 

O Comidas do Mundo traz para o centro da nossa cidade outros cheiros, cores e sabores e reaproxima Portugal do resto do mundo. 

O evento arranca hoje, a partir das 19h até às 24h, e nos restantes dias terá horário alargado entre as 12h30 e as 24h. 

A entrada no evento tem um custo de 10€, mas cada euro dá direito a um vale de desconto em cada cozinha, possibilitando que se possa experimentar pratos de várias nacionalidades, para que não se perca pitada! 

Dentro do recinto, as entradas e sobremesas custam até 3€ e os pratos principais entre os 5€ e 8€. Ou seja, cozinha de autor a preços bastante acessíveis. 

Aqui ficam duas imagens para vos abrir o apetite:





A melhor parte? Temos 5 entradas duplas para oferecer, para segunda-feira, dia 24 (das 12:30h às 24h)!

Para se habilitar a ganhar:
- faça gosto na nossa página les bons vivants
- faça gosto na página da Comidas do Mundo
- partilhe a página Comidas do Mundo com os seus amigos
- envie um email com o seu nome e telefone para lesbonsvivantsblog@gmail.com com o assunto PASSATEMPO COMIDAS DO MUNDO

De 10 em 10 participações será oferecida uma entrada dupla!!  (participação limitada a um email por pessoa)


Raquel e João

13/02/2014

novidades e sugestões - Dia dos Namorados em modo "o amor não tem de ser caro"

Para alguns, o Dia dos Namorados é um dia especial em que se tem a oportunidade de mimar a cara-metade, de a surpreender com algum gesto romântico. Para outros, é um dia óptimo para combinar estar com os amigos sob o pretexto de uma data que não comemoram a sério. Por fim, outros não ligam nada a este dia e é apenas mais um para se juntar aos outros 364 do ano.

Independentemente da opinião de cada um, o Dia dos Namorados, ou o Dia de S. Valentim, é a desculpa perfeita para um programa diferente, a dois ou não. Este ano tem a vantagem de calhar a uma sexta-feira! Numa altura em que o low cost tem cada vez mais adeptos, sugerimos uma comemoração em conta, diferente do habitual jantar seguido de cinema.

- Comece por abrir uma garrafa de vinho e servir um copo em jeito de brinde. Porque não um tinto do Alentejo, Altas Quintas 600?

- Para abrir o apetite, sugerimos um passeio a pé por sítios que aprecie, um jardim, à beira-rio, por entre ruelas antigas. Andar a pé é bom para conversar, faz bem à saúde e não custa dinheiro. Se estiver a chover, entre no primeiro recanto que lhe parecer confortável e petisque qualquer coisa. Se estiver em Lisboa, sugerimos Belém, o Jardim da Estrela, Alfama, Príncipe Real, Chiado. Caso viva no Porto, a Ribeira, Foz, zona da Sé, Avenida Miguel Bombarda, são algumas das muitas hipóteses existentes.

- Se preferir um jantar mais caseiro, surpreenda com uma massa à italiana. O truque é ser simples, saborosa e diferente. Uma massa italiana tem sempre um toque romântico. Experimente esta receita de carbonara de curgete do Jamie Oliver.

- Se não quiser cozinhar, compre umas conservas (a de atum em molho cru da marca açoriana Sta. Catarina, é deliciosa). Ponha uma mesa bonita e acompanhe com tostinhas e pão. Petiscar em casa também sabe bem!

 - Para sobremesa, corte uma manga em pedaços e tempere com flor de sal, piripiri ou malagueta fresca e sumo de lima. A combinação de sabores é deliciosa.

- Prolongue o dia dos namorados até sábado e seja turista na própria cidade. Alinhe num passeio pelo centro histórico, visite jardins, museus e passe por locais emblemáticos. Às vezes esquecemo-nos de apreciar o que está à nossa volta. Porque não um piquenique se estiver bom tempo? Se forem aventureiros, com antecedência pesquisem por caminhadas na zona e façam-se ao caminho!

- Por fim, deixamos algumas ideias do que oferecer neste dia aos adeptos da boa vida e da cozinha: um avental “Feliz é quem cozinha com amor”, para tornar os fins-de-semana ao fogão mais românticos; um fiu de aromáticas, uma técnica japonesa que combina a utilidade das ervas aromáticas com a possibilidade de decorar a sua cozinha com uma planta original; para os amantes de petiscos e canapés, um workshop de finger food da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (também há workshops nas outras escolas de hotelaria); um passeio temático por Lisboa, da Lisboa Autêntica. 

*Texto originalmente publicado no blogue da marca Oleoban