17/03/2013

novidades e sugestões - gumelo

A propósito de semear e plantar ervas aromáticas e do bom que é ter à mão os nossos ingredientes prontos a colher, faz sentido apresentar-vos o gumelo. Melhor: o eco gumelo! 

Esta simpática criação permite ver nascer e crescer cogumelos da espécie pleurotus ostreatus e, obviamente, cozinhá-los depois.

O processo é muito simples, amigo do ambiente e bastante engraçado: a partir de um substrato de borra de café, devidamente compactado numa gira embalagem em cartão, nascem cogumelos, no espaço de 10 a 20 dias. Para que isso aconteça, basta seguir as instruções que se resumem a destacar uma janela e vaporizá-la duas vezes por dia com água, sendo essencial que a mesma esteja num local iluminado mas sem luz solar directa.

Todas as pessoas que passaram lá por casa e que viram a embalagem pareciam, num primeiro momento, ligeiramente cépticas quando ao resultado, mas ao fim de um ou dois dias os cogumelos surgiram e cresceram, cresceram, cresceram! É espantoso, pois por vezes num intervalo de apenas horas, nota-se diferença no tamanho dos cogumelos. Rapidamente toda a gente passou a querer ir espreitá-los para ver se já tinham aumentado!

Assim, certamente que este é um presente original e engraçado quer para miúdos, quer para graúdos. Cada embalagem tem o preço recomendado de 12€ ou 15€ (se encomendar online, valor que inclui os portes de envio) e deverá dar para duas colheitas (eu estou desconfiada que dá para mais se se abrir a caixa e se virarmos o bloco de borra de café, mas ainda não tentei). 

Dentro de uns dias publicamos uma receita com os cogumelos!

Ficam aqui algumas imagens da evolução (em 15 dias) e da embalagem:

  


  
 Raquel

13/03/2013

receita - tarte de bacon, cogumelos e cebolinho

Durante muito tempo vi a minha mãe a preparar uma tarte de atum de que gostávamos muito. Decidi aventurar-me e preparar eu uma, mas com outros ingredientes.

Para uma tarteira de cerca de 25 cm de diâmetro é preciso:

- massa quebrada (compro daquela já preparada)
- 4 ovos
- 1 pacote de natas (dos de cartão, pequenos)
- meia embalagem de cogumelos frescos (utilizei uns portobello pequenos)
- 1 cebola roxa grande ou 2 pequenas
- cerca de 150 g de bacon
- umas 8 rodelas de courgette cortadas em quadradinhos
- 2 colheres de sopa de cebolinho picado
- sal
- pimenta
- azeite
- alho (opcional)
- queijo parmesão (opcional)

O primeiro passo é picar ou cortar os ingredientes, sendo que o único que não é previamente cozinhado é a courgette, por não ser necessário.

Numa frigideira com um fio de azeite refoga-se a cebola previamente picada e tempera-se a mesma com uma pitada de sal e reserva-se. De seguida, e na mesma frigideira, frita-se um pouco o bacon cortado em pedaços pequenos, tempera-se com pimenta e reserva-se. Repete-se o mesmo para os cogumelos cortados grosseiramente que podem ser temperados com alho e sal (os cogumelos devem ficar muito pouco tempo ao lume). 

Pré-aquecer o forno a 220ºC.

Depois de preparados os ingredientes, separam-se as gemas e as claras e batem-se as claras em castelo, de forma a que a tarte fique mais fofa. Misturam-se os vários ingredientes com as natas e as gemas de ovo e depois junta-se esse preparado às claras em castelo. Adiciona-se o cebolinho e mais uma pitada de pimenta.

Forrar a tarteira ou pelo menos a base com papel vegetal e colocar a massa. Com um garfo picar a massa em vários sítios e depois verter o recheio. Se quiser pode juntar umas lascas de queijo parmesão.

Levar ao forno a 200ºC e picar com um palito para verificar se está pronto (aproximadamente 30 minutos). 



Raquel

10/03/2013

viagens e sítios - Trás-os-Montes e Minho

Este Verão tivemos a oportunidade de conhecer mais um bocadinho o nosso país. Se há viagens que me dão prazer, são essas: andar de terra em terra de bagagem às costas, a conhecer os recantos de Portugal e as nossas cidades.

Como tenho família e origens em Trás-os-Montes, e como tínhamos um casamento em Braga em Setembro, juntámos o útil ao agradável e rumámos ao Norte.

Durante cerca de uma semana ficámos instalados numa casa da família, em Vila Real, mais concretamente no Peso da Régua, na aldeia de Bujões...! Sim, completamente no fim do mundo, numa pequena terra com um dúzia de casas, outra meia dúzia de pessoas e, devido à altura do ano, uns quantos emigrantes. A vantagem de ali estar, para além de não se gastar dinheiro em estadias, foi o facto de a partir dali podermos conhecer vários sítios diferentes.

Embora não tenhamos conhecido verdadeiramente Vila Real, os passeios pela zona mais histórica foram muito agradáveis e, claro, não podemos esquecer-nos de duas maravilhas: as covilhetes e as cristas de galo! Embora eu seja muito mais doceira e gulosa que o João, desta vez invertemos os papéis e rendi-me eu às covilhetes, e ele às cristas de galo. 

Aconselhamos a histórica Pastelaria Gomes para qualquer uma destas iguarias! Para jantar, aconselhamos a Adega Sr. Vinho, com uma óptima posta de vitela.


Um dos momentos mais marcantes deste passeio foi, sem qualquer dúvida, ir até São Leonardo de Galafura, um dos sítios mais belos e encantadores onde estive até hoje. No meio de várias pequenas terras, com uma vista privilegiada sobre o Douro, uma capela e poesia do Torga como adorno, São Leonardo de Galafura é daquelas sítios onde nos apetece demorar, e que nos comove. Depois seguimos até Covelinhas, no meio da montanha.


Numa das noites fomos até Lamego, mais propriamente à Festa de Nossa Senhora dos Remédios. Embora não tenhamos passeado pela cidade, até porque já estava escuro, pudemos provar mais duas coisas maravilhosas: arroz de salpicão e moira! Ficámos absolutamente fãs!



Aproveitámos para conhecer o Parque Natural do Alvão, que se encontra em Vila Real e Mondim de Basto. A paisagem é linda, com os caminhos de montanha, o verde, o granito e, em algumas zonas, a água. Para além de termos andando a passear por ali, sem rumo, fomos às Lamas de Olo e às Fisgas de Ermelo, embora tenhamos visto as quedas de água apenas ao longe.





Passeámos também por Vilarinho da Samardã, uma pequena aldeia muito simpática onde se vêem muitos espigueiros, uns mais antigos e pior conservados e outros em bom estado, que servem para guardar e secar o milho, protegendo-o dos ratos. Conhecemos também uma casa, encantadora, onde em tempos viveu Camilo Castelo Branco.



Outro ponto alto (literalmente!) da nossa viagem foi a visita ao Santuário de Nossa Senhora da Graça, em Mondim de Basto, a 900 metros de altitude.


Mesmo no final de Agosto rumámos até Braga onde passámos dois dias, sendo que um foi num casamento. Demos umas voltas pelo centro da cidade e ficámos encantados e, a certa altura, com vontade de lá viver. Ficou a promessa de que lá voltaríamos, com mais tempo. Para estadia aconselhamos o Axis Braga, um hotel low cost, central e com boas condições! A simpatia da maioria das pessoas de Braga é notável e fez-nos sentir em casa. 


Entre Braga e Guimarães, estivemos no Gerês, que merece um post à parte. Assim, antes de regressarmos a Sul, passámos pelo berço da Nação, ainda que de fugida, e gostámos muito. Mais uma vez, só tivemos oportunidade de dar um curto passeio pela zona histórica que nos aguçou a vontade de regressar, com tempo. 


Embora fora de Trás-os-Montes e do Minho, fica aqui o apontamento da visita a Marco de Canaveses, mais propriamente à Igreja desenhada pelo arquitecto Siza Vieira, onde fomos na mesma viagem.






Raquel

05/03/2013

restaurante - The Great American Disaster

The Great American Disaster: o nome deste restaurante não podia ser mais certeiro... um desastre, dos grandes. Azar ou não, a nossa experiência não foi boa. 

A um dia se semana à noite e já passando das nove, o facto de vermos várias mesas ocupadas revelou-se uma agradável surpresa, pois normalmente é um bom indicador. Contudo, em menos de um minuto esse alento dissipou-se. 

Primeiro estivemos de pé a aguardar que reparassem em nós e que fossemos recebidos por algum dos empregados para que nos indicassem uma mesa. Apesar de passarem por nós a menos de 1 metro de distância e dos nossos «boa noite», era como se não estivéssemos por ali. 

Lá nos disseram que nos podíamos sentar e o melhor (ou pior?) veio depois. 

No momento de fazer o pedido e com legítimas dúvidas acerca de um dos hambúrgueres (ainda que fosse a dúvida mais idiota de sempre...), o João perguntou porque é que na carta mencionavam ser preciso coragem para pedir um dos hambúrgueres. A resposta, seca, rude e antipática não tardou: «normalmente o chíli é picante» -  dito com o maior ar de desprezo e superioridade do mundo, como se fossemos dois imbecis.

Além da antipatia e falta de educação, o senhor não respondeu à pergunta do João, que não tinha como motivo qualquer preocupação com o picante, mas sim com o tamanho do hambúrguer... 

Depois pedimos duas coca-colas, com o devido «se faz favor». Qual foi a resposta? «Pepsi». Assim, sem mais nem menos, sem um «não temos Coca-cola, pode ser Pepsi?». Não, mais uma demonstração de profissionalismo e simpatia que ficou guardada na gaveta.

Lá vieram os hambúrgueres, um nível abaixo de qualquer casa de fast food, a começar pelo facto de estarem queimados e de serem a coisa mais banal do mundo. As batatas, embora estaladiças, estavam escurecidas e com pontinhos negros que indicam óleo por mudar...

Enfim, para rematar ainda ouvimos esse mesmo empregado a dizer o seguinte: «F*d#a-se, há clientes mesmo estúpidos!», comentando um pedido qualquer de um cliente. Isto dito entre empregados mas sem a necessária descrição, ao ponto de ter sido perceptível...

É uma pena, de facto, que um casa com mais de 30 anos, com um conceito giro, um espaço engraçado e com tanta clientela (na qual se inclui muitos turistas), tenha um atendimento tão pobre, e uma comida tão descuidada. 

O melhor da refeição? Além da companhia, claro, a música!

O preço médio, sem cafés e sobremesas é de 9€. 

Lembrem-me de não voltar lá e de ir mas é ao Garden Burguer das Amoreiras, que também é uma casa antiga, mas ainda tem algum brio...  


Raquel



Morada: 
Praça Marquês de Pombal, 1 (tem de se entrar num átrio e subir umas escadas)
1250 Lisboa

Telefone:
21 316 12 66


26/02/2013

receita - risotto de alheira e aipo

Esta foi a primeira vez que fiz um risotto e devo dizer que fiquei orgulhosa. O processo pode ser demorado mas se o resultado final for bom, compensa!
O risotto é feito em três partes: caldo, ingredientes (neste caso alheira e uns legumes) e arroz. É mais fácil separar as fases desta forma para não nos perdermos.

É preciso:
- aipo
- alho francês
- cenoura
- cebola
- cogumelos brancos (ou outros) frescos
- pimento encarnado
- courgette
- alheira de caça
- azeite
- vinho branco
- arroz para risotto (o da marca Pingo Doce é bom)
- manteiga
- queijo parmesão
- sal grosso

Para 3 ou 4 pessoas: começa-se por preparar os legumes para o caldo: lava-se e corta-se grosseiramente o aipo (só os talos, uns três ou quatro), o alho francês (1), a cenoura (1 ou 2), e meio pimento encarnado. Põe-se numa panela com um fio de azeite juntamente com meia ou uma cebola e os talos dos cogumelos. Sua-se um pouco em azeite, e acrescenta-se a água (que tape os legumes, mas não é necessário encher até cima). Tempera-se com sal grosso e uma pitada de pimenta. Fica a ferver em lume médio/brando.

Enquanto o caldo apura, corta-se a outra metade do pimento, os cogumelos (uma mão cheia), meia cenoura, e um pouco de courgette em pedacinhos pequenos (os cogumelos não devem ficar demasiado pequenos para manterem a consistência, o melhor é cortar em quartos, por exemplo). Depois salteia-se cada legume num fio de azeite (ou todos ao mesmo tempo se não forem perfeccionistas com os tempos de cozedura) e reserva-se. A cenoura e cogumelos podem ser temperados com uma pitada de sal. 

Frita-se uma alheira desfeita num fio de azeite, e reserva-se juntamente com os legumes salteados.

Pica-se uma cebola e leva-se ao lume em azeite. Quando ficar transparente junta-se o arroz e dá-se um fritura. Depois refresca-se com vinho branco, mas sem cobrir por completo. A pouco e pouco junta-se uma ou duas conchas de caldo coado (o caldo pode estar em lume brando). Nesta fase é importante ir sempre mexendo com suavidade. O arroz vai cozendo lentamente e sempre que estiver a ficar com menos líquido, junta-se mais caldo, para a cozedura ser constante.

Convém ir provando para verificar se o arroz está pronto. Deve oferecer uma resistência suave. Quando estiver mesmo quase cozido, misturam-se os legumes salteados e a alheira e mexe-se. Junta-se a última concha de caldo, mexe-se e desliga-se o lume.

Com o lume desligado, acrescenta-se uma colher de sopa de manteiga e mistura-se, depois junta-se o queijo parmesão ralado. A quantidade de queijo depende do gosto, mas eu ponho pouco por uma questão de preferência de sabor e consistência.

Deve ser servido e comido imediatamente. 




Vou aproveitar o passatempo promovido pelo blogue Cinco Quartos de Laranja, para participar com esta receita! 


Raquel

25/02/2013

picante ou não picante, eis a reacção

Tanto eu como o João somos adeptos de comida picante, forte, que desperte as pupilas gustativas. Chegou a um ponto em que demos por nós a temperar tudo (quase tudo...) com piri-piri, fosse em pó, fosse com malaguetas, fosse como fosse.

Foi uma fase, como muitas outras na cozinha... Vamos experimentando alguns temperos e é até uma forma de descobrir boas combinações e sabores inesperados.

Independentemente de andarmos mais moderados no que se refere a picantes, não dizemos que não a pratos mais condimentados ou molhos mais fortes.

O que é engraçado é perceber a tolerância das várias pessoas ao picante. E sobre isto, tenho dois episódios caricatos para contar...

O primeiro foi num jantar de uma amiga, num restaurante goês (sobre o qual escreveremos). Só um ou dois pratos é que eram possíveis de pedir sem picante, o resto, dada a gastronomia e devido ao facto de ser um restaurante verdadeiramente goês, quase que pegava fogo na boca.

Enquanto que eu e o João (e as outras pessoas) nos deliciávamos com o que comíamos (xacuti, sarapatel, caril goês...), um dos convidados estava verdadeiramente em sofrimento, acusando logo pouca tolerância nas chamuças. 

Confesso que até para mim estava um bocadinho além do limite, embora tenha conseguido suportar perfeitamente. Bem, mas o que é curioso é ver as diferentes reacções das pessoas, sendo que há umas que não toleram mesmo e logo na primeira garfada têm de ser socorridos por qualquer coisa que se beba e que refresque. 

O segundo episódio foi no restaurante Artis (cujas batatas bravas têm um molho bem picante): eu e o João estávamos a deliciar-nos com as batatas bravas e com o pica-pau de porco cujo molho também é picante e ao nosso lado estava um casal de turistas, a decidir o que pedir. Como olharam várias vezes para a nossa mesa e nos viram a devorar as batatas de forma tão gulosa, acabaram por pedir uma dose. 

Quando provaram a primeira batata pegaram imediatamente na bebida e beberam-na sofregamente! As caras revelaram uma desilusão enorme por o molho ser tão picante e começaram a escolher as batatas que não estavam "contaminadas". Imagino que lhes tenha passado pela cabeça que éramos loucos por suportar o molho...

A verdade é que a tolerância ao picante pode ser influenciada pelo hábito, é possível ir habituando o paladar e torná-lo mais tolerante. A mãe do João, por exemplo, que não gostava nada de comida picante, aos poucos está a tornar-se mais tolerante.

E vocês, gostam de comida picante ou nem por isso? 








Raquel


21/02/2013

novidades e sugestões - Kouve Mercearia Biológica

Quando os legumes e frutas têm aquele aspecto mais natural, com cheiro a terra, sabemos que são bons e que são mesmo naturais, sem químicos e fertilizantes. 

Quando compramos produtos frescos em mercearias biológicas é isso que esperamos. A Kouve, que é uma mercearia deste tipo, é uma loja online certificada, que vende uma série de produtos biológicos.

Desde frutas e legumes (a cebola e alho são bem bons, e a batata vermelha é óptima, sobretudo assada!), a mercearias (aveia, soja, arroz, sumos, etc.), passando pelos lacticínios, chás, infusões e vinhos, a Kouve Mercearia Biológica também vende produtos menos usuais, de beleza e para o lar, como detergentes, óleos de banho, bálsamos e sabonetes!

Ficámos agradavelmente surpreendidos com o sal integral com tomilho limão, um tempero diferente para saladas, peixes e molhos, com um sabor subtil, que dá um certo toque ao tempero.

Experimentámos pela primeira vez um vinho produzido com uvas brancas e tintas, que à primeira vista nos parecia um rosé. Além de o beber, fizemos um risotto de cogumelos com esse vinho, em vez do habitual branco, que ficou delicioso.

De um modo simples pode fazer as suas compras online, sendo necessário o registo no site. As encomendas são entregues ao domicílio, até a uma distância de 30 km das instalações da Kouve (no Restelo, em Lisboa), embora possa acordar entregas em locais mais distantes. O pagamento é fácil, pois pode pagar por transferência bancária ou em numerário no acto da entrega. 

Embora esteja fechada ao público, pode visitar as instalações da Kouve sempre que quiser e, se preferir, pode levantar lá a sua encomenda. 

Espreitem o facebook da mercearia e experimentem. Há que dar uma oportunidade aos produtores mais pequenos!






Raquel

17/02/2013

restaurante - Adega Sr. Vinho


Chamar "posta" a carne eleva-a a um outro patamar, talvez só alcançável pelo chuleton espanhol. Não é nem bifinhos, nem bife, nem naco. Posta é posta. Grande, bruta e farta.

Como sou um grande carnívoro, sempre ambicionei comer a melhor posta de Portugal (estou a guardar a de Miranda do Douro...), pelo que gosto de ir experimentado as versões de vários sítios onde a servem.

Confesso que já comi em Lisboa, na Justa Nobre (ou Spazio Buondi, se preferirem) e não fiquei nada satisfeito. Apesar da chef ser transmontana, a posta era mais um bife que outra coisa. Um bom bife, não digo que não, bem grelhado e bem temperado, mas pequeno e com um acompanhamento demasiado simples (para o sítio onde foi servida), pouco cuidado e sem pinga de molho.

Outro dos sítios onde comi foi na Vila do Gerês, no restaurante Lurdes Capela, onde a fila de espera poderia ser um bom indício da qualidade da posta de vitela barrosã. Infelizmente não foi o caso. Em tamanho, tudo certo, era um grande pedaço de carne. Mas ficou por aí: não era tão tenro como se desejava, tinha alguns nervos e estava mal temperado.

Por indicação de um primo da Raquel, no nosso passeio deste Verão pelo Norte, finalmente fui a um restaurante onde comi a melhor posta até agora: a Adega Sr. Vinho, nos arredores de Vila Real.

Um restaurante simples e despretensioso, mas com um ambiente muito confortável e acolhedor. É um daqueles locais descentralizados que mesmo assim estão cheios de carros à porta e com muitos clientes.

Passemos à comida: a posta era enorme (deu para três pessoas)! Óptima carne, muito bem cozinhada, cheia de sabor e com um molho excelente, de lamber os dedos. 

O atendimento foi impecável, com um apontamento muito agradável: a meio do jantar, quando a carne e as batatas já começavam a ficar frias, levaram para dentro a posta para aquecer na brasa e substituíram as batatas por umas acabadas de fritar.

Quanto ao preço, considerando que para além da posta comemos entradas (misto de enchidos, presunto e queijo), bebemos vinho da casa e cafés, os cerca de 13€ por pessoa são mais que justos.

O único problema, para mim que sou de Lisboa, é o Sr. Vinho não ser aqui...

Por isso, estimados leitores, se conhecem restaurantes aqui perto onde eu possa dar liberdade a esta minha condição de animal extremamente carnívoro, por favor não hesitem, todas as sugestões serão bem recebidas.


João


Morada:
Recta da Portela - Lugar do Ramalhão (depois do aeródromo de Vila Real, junto à Zona Industrial de Constantim)
5000-101
Folhadela Vila Real

Telefone:
25 933 68 16 

13/02/2013

truques e dicas - conservar ervas aromáticas no frigorífico

A propósito do último post, aqui fica um bom truque para conservar durante mais tempo as ervas aromáticas no frigorífico. Não sei se vos costuma acontecer, mas cá em casa é normal comprar um raminho fresco e passado dois ou três dias ter de o deitar fora quase inteiro...

Comprámos este raminho de coentros frescos na passada quarta-feira, e hoje ainda estava com um aspecto fresco e com aquele cheirinho agradável!


Basta que deixem o raminho num copo com um bocadinho de água e o tapem com um saco de plástico (sem apertar).  Depois, é só guardar no frigorífico!





Raquel

10/02/2013

ervas aromáticas - preparar e semear

Este Natal a Raquel ofereceu-me uma espécie de kit com material para plantar as minhas ervas aromáticas. Já há algum tempo que queria voltar a aventurar-me nestas lides, pois todas as tentativas que fiz acabaram em pragas, plantas secas, ou fracas colheitas.

Desta vez tenho a tarefa facilitada porque para além do kit, a Raquel deu-me um manual de ervas aromáticas para cozinheiros. Nesse livro explicam todo o processo, desde o semeio à colheita, passando ainda por algumas dicas de conservação, receitas e uma explicação exaustiva das várias espécies.


Foi quando uma leitora nos sugeriu que escrevêssemos sobre este tema, que me decidi finalmente a começar. Assim, com esta nova rubrica pretendo ir partilhando todo o processo, mas não prometo resultados brilhantes, pois é a primeira vez que levo isto a sério. Se tiverem dicas e sugestões, serão bem vindas.

Fevereiro é uma das melhores alturas para semear o que tenho (cebolinho, orégãos, coentros, salsa, tomilho, manjericão e malaguetas). Para plantar utilizei uns vasos de cartão que vêm num kit do Ikea e também reaproveitei um tacho e dois púcaros velhos. A única preocupação com o tipo de terra, é que seja apropriada para ervas aromáticas comestíveis. 

O kit do Ikea foi fácil, pois tem as suas próprias instruções. O kit vem com três pequenos vasos de cartão, cada um deles com uma porção de terra à qual se junta água, e sementes.


Para o tacho e púcaros improvisei um sistema de drenagem, furando os fundos e colocando umas pedras por baixo da terra. Os vasos para este tipo de ervas devem ter furos para escoar o excesso de água. Para separar a terra do metal, pus uma camada de plástico (cujo fundo também furei, nos sítios correspondentes aos buracos do metal).


Segundo o livro, salsa, coentros e tomilho coabitam muito bem, pelo que os plantei no mesmo vaso ou, neste caso, tacho.

Semear é a parte mais fácil: basta deitar as sementes sobre a terra já húmida ou em pequenos buracos (varia consoante a espécie, o melhor é consultar a informação que vem no pacote) e cobri-las com uma camada de cerca de 1 cm de terra. Por fim rega-se com pouca água e calca-se muito ligeiramente. 


Durante os primeiros tempos, até as ervas terem algum tamanho, a terra deve estar húmida, sem ser em excesso, e os vasos devem estar protegidos da luz solar e do frio, pelo que o melhor será guardá-los no interior.

Dentro de cerca de duas semanas espero ter novidades.


João

06/02/2013

receita - torrada de cogumelos e chouriço

Com fome e com pouca vontade de cozinhar, peguei em dois ingredientes e cozinhei-os de forma simples.

É preciso:

- pão
-chouriço (aconselho o de carne da Miguel&Miguel, que entretanto experimentei)
- alho
- azeite
- sal
- pimenta
- orégãos

Numa frigideira deitar um fio de azeite e colocar ao lume. Quando estiver quente (mas não demasiado) acrescentar umas rodelas de chouriço (há que ter atenção que um chouriço muito forte pode tornar-se enjoativo, se for o caso, diminuir na quantidade) e depois o alho picado. Ter atenção para o alho não queimar, ir mexendo. 

Quando o chouriço já estiver a ficar cozinhado, deitar uma mão bem cheia de cogumelos e temperar com uma pitada de sal e pimenta. Se for necessário, juntar mais um fio de azeite. 

Entretanto, colocar pão a torrar.

Em três ou quatro minutos os cogumelos já encolheram e estão cozinhados.

Apresentação: 

Colocar os cogumelos e chouriço em cima do pão e temperar com orégãos. Como podem ver na imagem, esta versão tinha muito chouriço. Da segunda vez já pus menos rodelas e acrescentei milho por cima (fica bom!)





Raquel

02/02/2013

o fenómeno sushi

A prova de que o sushi exerce um qualquer poder de atracção é que ontem, ao fazer zapping, não consegui deixar de ver o programa que dava no canal Odisseia: «Gastronomia Global: o Sushi», já bem tarde.

Para quem se interessa por gastronomia e por curiosidades acerca da origem dos pratos e tradições, vale a pena dar uma vista de olhos a esta série que foca vários pratos de sucesso a nível global: sushi, pizzas, etc.

De facto, o sushi é um fenómeno global, do Japão ao Brasil, passando pela Europa e Estados Unidos, esta especialidade japonesa tem a capacidade de se adaptar e reinventar, moldando-se aos países por onde vai entrando, muito embora seja possível continuar a encontrar uma vertente mais tradicional e clássica desta cozinha.

Desde restaurantes requintados e muito caros, a versões mais baratas, não esquecendo a cada vez maior quantidade de restaurantes chineses que se mascaram de japoneses, o sushi invadiu todos os cantos do mundo, tornando-se uma espécie de embaixador do Japão.

A verdade é que esta questão já levantou problemas por se recear que a imagem de qualidade e perfeição desta cozinha fosse denegrida devido ao facto de qualquer um, em qualquer sítio fazer e servir sushi.

A mestria dos grandes chefs japoneses ou de cozinha japonesa é impressionante. Vê-los a preparar o peixe e a fazer cortes de uma perfeição geométrica, presenciar o domínio exímio das facas, é quase assistir um espectáculo. Mizutani, um conhecido chef, afirmou que quando pega numa faca tem a sensação de que esta é um prolongamento do seu dedo, e que quando corta o peixe, sente que o corta com o dedo.

Ir a um bom restaurante de sushi passa mesmo por essa ligação entre chef e clientes. Do outro lado do balcão temos alguém que não só nos prepara a comida como nos entretém, como se estivesse num palco. É todo um ritual.

A ligação dos japoneses com o peixe e este seu talento natural pode ser explicado por viverem num arquipélago de ilhas montanhosas, em que o principal recurso é o mar, não esquecendo as plantações de arroz. O peixe é mesmo importante nesta sociedade: em Tóquio há um mercado de peixe que é gigante onde se leiloam atuns. Já foi leiloado um atum por um preço mais alto que um Ferrari...!

Apesar do sucesso do sushi, a sua origem tem sido relegada para segundo plano. Nem toda a gente aprecia sushi na sua forma mais arcaica: os peixes são capturados, retiram-se as guelras e ficam a fermentar durante dois anos em água e sal, nuns tonéis de madeira bem fechados. Depois secam-nos ao sol, envolvem-nos em arroz cozido e são guardados mais uns meses. Entretanto as espinhas já amoleceram e o peixe tem outro sabor...

Os niguiris, que nós por cá conhecemos tão bem (peixe ou marisco sobre uma bola de arroz avinagrada), surgiram em 1824 como fast food servida na rua e comida à mão. Os rolos califórnia, com arroz por fora e abacate, tal como o nome indica, não foram criados pelos japoneses, mas pelos americanos em 1970. 

Embora seja surpreendente, um dos mais conhecidos chefs afirma que mais importante que a qualidade do peixe,  é a qualidade e sabor do arroz, que se forem maus podem tornar o sushi péssimo, mesmo que o peixe seja do melhor.

Enfim, estas curiosidades e outras despertaram o meu interesse e, claro, deixaram-me com vontade de comer sushi. 

Em Portugal a maioria dos restaurantes de sushi não nos serve verdadeira comida japonesa, mas já existem bons restaurantes de sushi moderno e de fusão (como o Sushi Cafe Avenida), e há um onde vale a pena ir: Tomo. O chef (que era o cozinheiro da embaixada do Japão em Portugal) prepara tudo à nossa frente, por detrás de um balcão. A lista é infinita, o peixe é óptimo e o preço, como se imagina, caro! 



Raquel