26/02/2013

receita - risotto de alheira e aipo

Esta foi a primeira vez que fiz um risotto e devo dizer que fiquei orgulhosa. O processo pode ser demorado mas se o resultado final for bom, compensa!
O risotto é feito em três partes: caldo, ingredientes (neste caso alheira e uns legumes) e arroz. É mais fácil separar as fases desta forma para não nos perdermos.

É preciso:
- aipo
- alho francês
- cenoura
- cebola
- cogumelos brancos (ou outros) frescos
- pimento encarnado
- courgette
- alheira de caça
- azeite
- vinho branco
- arroz para risotto (o da marca Pingo Doce é bom)
- manteiga
- queijo parmesão
- sal grosso

Para 3 ou 4 pessoas: começa-se por preparar os legumes para o caldo: lava-se e corta-se grosseiramente o aipo (só os talos, uns três ou quatro), o alho francês (1), a cenoura (1 ou 2), e meio pimento encarnado. Põe-se numa panela com um fio de azeite juntamente com meia ou uma cebola e os talos dos cogumelos. Sua-se um pouco em azeite, e acrescenta-se a água (que tape os legumes, mas não é necessário encher até cima). Tempera-se com sal grosso e uma pitada de pimenta. Fica a ferver em lume médio/brando.

Enquanto o caldo apura, corta-se a outra metade do pimento, os cogumelos (uma mão cheia), meia cenoura, e um pouco de courgette em pedacinhos pequenos (os cogumelos não devem ficar demasiado pequenos para manterem a consistência, o melhor é cortar em quartos, por exemplo). Depois salteia-se cada legume num fio de azeite (ou todos ao mesmo tempo se não forem perfeccionistas com os tempos de cozedura) e reserva-se. A cenoura e cogumelos podem ser temperados com uma pitada de sal. 

Frita-se uma alheira desfeita num fio de azeite, e reserva-se juntamente com os legumes salteados.

Pica-se uma cebola e leva-se ao lume em azeite. Quando ficar transparente junta-se o arroz e dá-se um fritura. Depois refresca-se com vinho branco, mas sem cobrir por completo. A pouco e pouco junta-se uma ou duas conchas de caldo coado (o caldo pode estar em lume brando). Nesta fase é importante ir sempre mexendo com suavidade. O arroz vai cozendo lentamente e sempre que estiver a ficar com menos líquido, junta-se mais caldo, para a cozedura ser constante.

Convém ir provando para verificar se o arroz está pronto. Deve oferecer uma resistência suave. Quando estiver mesmo quase cozido, misturam-se os legumes salteados e a alheira e mexe-se. Junta-se a última concha de caldo, mexe-se e desliga-se o lume.

Com o lume desligado, acrescenta-se uma colher de sopa de manteiga e mistura-se, depois junta-se o queijo parmesão ralado. A quantidade de queijo depende do gosto, mas eu ponho pouco por uma questão de preferência de sabor e consistência.

Deve ser servido e comido imediatamente. 




Vou aproveitar o passatempo promovido pelo blogue Cinco Quartos de Laranja, para participar com esta receita! 


Raquel

25/02/2013

picante ou não picante, eis a reacção

Tanto eu como o João somos adeptos de comida picante, forte, que desperte as pupilas gustativas. Chegou a um ponto em que demos por nós a temperar tudo (quase tudo...) com piri-piri, fosse em pó, fosse com malaguetas, fosse como fosse.

Foi uma fase, como muitas outras na cozinha... Vamos experimentando alguns temperos e é até uma forma de descobrir boas combinações e sabores inesperados.

Independentemente de andarmos mais moderados no que se refere a picantes, não dizemos que não a pratos mais condimentados ou molhos mais fortes.

O que é engraçado é perceber a tolerância das várias pessoas ao picante. E sobre isto, tenho dois episódios caricatos para contar...

O primeiro foi num jantar de uma amiga, num restaurante goês (sobre o qual escreveremos). Só um ou dois pratos é que eram possíveis de pedir sem picante, o resto, dada a gastronomia e devido ao facto de ser um restaurante verdadeiramente goês, quase que pegava fogo na boca.

Enquanto que eu e o João (e as outras pessoas) nos deliciávamos com o que comíamos (xacuti, sarapatel, caril goês...), um dos convidados estava verdadeiramente em sofrimento, acusando logo pouca tolerância nas chamuças. 

Confesso que até para mim estava um bocadinho além do limite, embora tenha conseguido suportar perfeitamente. Bem, mas o que é curioso é ver as diferentes reacções das pessoas, sendo que há umas que não toleram mesmo e logo na primeira garfada têm de ser socorridos por qualquer coisa que se beba e que refresque. 

O segundo episódio foi no restaurante Artis (cujas batatas bravas têm um molho bem picante): eu e o João estávamos a deliciar-nos com as batatas bravas e com o pica-pau de porco cujo molho também é picante e ao nosso lado estava um casal de turistas, a decidir o que pedir. Como olharam várias vezes para a nossa mesa e nos viram a devorar as batatas de forma tão gulosa, acabaram por pedir uma dose. 

Quando provaram a primeira batata pegaram imediatamente na bebida e beberam-na sofregamente! As caras revelaram uma desilusão enorme por o molho ser tão picante e começaram a escolher as batatas que não estavam "contaminadas". Imagino que lhes tenha passado pela cabeça que éramos loucos por suportar o molho...

A verdade é que a tolerância ao picante pode ser influenciada pelo hábito, é possível ir habituando o paladar e torná-lo mais tolerante. A mãe do João, por exemplo, que não gostava nada de comida picante, aos poucos está a tornar-se mais tolerante.

E vocês, gostam de comida picante ou nem por isso? 








Raquel


21/02/2013

novidades e sugestões - Kouve Mercearia Biológica

Quando os legumes e frutas têm aquele aspecto mais natural, com cheiro a terra, sabemos que são bons e que são mesmo naturais, sem químicos e fertilizantes. 

Quando compramos produtos frescos em mercearias biológicas é isso que esperamos. A Kouve, que é uma mercearia deste tipo, é uma loja online certificada, que vende uma série de produtos biológicos.

Desde frutas e legumes (a cebola e alho são bem bons, e a batata vermelha é óptima, sobretudo assada!), a mercearias (aveia, soja, arroz, sumos, etc.), passando pelos lacticínios, chás, infusões e vinhos, a Kouve Mercearia Biológica também vende produtos menos usuais, de beleza e para o lar, como detergentes, óleos de banho, bálsamos e sabonetes!

Ficámos agradavelmente surpreendidos com o sal integral com tomilho limão, um tempero diferente para saladas, peixes e molhos, com um sabor subtil, que dá um certo toque ao tempero.

Experimentámos pela primeira vez um vinho produzido com uvas brancas e tintas, que à primeira vista nos parecia um rosé. Além de o beber, fizemos um risotto de cogumelos com esse vinho, em vez do habitual branco, que ficou delicioso.

De um modo simples pode fazer as suas compras online, sendo necessário o registo no site. As encomendas são entregues ao domicílio, até a uma distância de 30 km das instalações da Kouve (no Restelo, em Lisboa), embora possa acordar entregas em locais mais distantes. O pagamento é fácil, pois pode pagar por transferência bancária ou em numerário no acto da entrega. 

Embora esteja fechada ao público, pode visitar as instalações da Kouve sempre que quiser e, se preferir, pode levantar lá a sua encomenda. 

Espreitem o facebook da mercearia e experimentem. Há que dar uma oportunidade aos produtores mais pequenos!






Raquel

17/02/2013

restaurante - Adega Sr. Vinho


Chamar "posta" a carne eleva-a a um outro patamar, talvez só alcançável pelo chuleton espanhol. Não é nem bifinhos, nem bife, nem naco. Posta é posta. Grande, bruta e farta.

Como sou um grande carnívoro, sempre ambicionei comer a melhor posta de Portugal (estou a guardar a de Miranda do Douro...), pelo que gosto de ir experimentado as versões de vários sítios onde a servem.

Confesso que já comi em Lisboa, na Justa Nobre (ou Spazio Buondi, se preferirem) e não fiquei nada satisfeito. Apesar da chef ser transmontana, a posta era mais um bife que outra coisa. Um bom bife, não digo que não, bem grelhado e bem temperado, mas pequeno e com um acompanhamento demasiado simples (para o sítio onde foi servida), pouco cuidado e sem pinga de molho.

Outro dos sítios onde comi foi na Vila do Gerês, no restaurante Lurdes Capela, onde a fila de espera poderia ser um bom indício da qualidade da posta de vitela barrosã. Infelizmente não foi o caso. Em tamanho, tudo certo, era um grande pedaço de carne. Mas ficou por aí: não era tão tenro como se desejava, tinha alguns nervos e estava mal temperado.

Por indicação de um primo da Raquel, no nosso passeio deste Verão pelo Norte, finalmente fui a um restaurante onde comi a melhor posta até agora: a Adega Sr. Vinho, nos arredores de Vila Real.

Um restaurante simples e despretensioso, mas com um ambiente muito confortável e acolhedor. É um daqueles locais descentralizados que mesmo assim estão cheios de carros à porta e com muitos clientes.

Passemos à comida: a posta era enorme (deu para três pessoas)! Óptima carne, muito bem cozinhada, cheia de sabor e com um molho excelente, de lamber os dedos. 

O atendimento foi impecável, com um apontamento muito agradável: a meio do jantar, quando a carne e as batatas já começavam a ficar frias, levaram para dentro a posta para aquecer na brasa e substituíram as batatas por umas acabadas de fritar.

Quanto ao preço, considerando que para além da posta comemos entradas (misto de enchidos, presunto e queijo), bebemos vinho da casa e cafés, os cerca de 13€ por pessoa são mais que justos.

O único problema, para mim que sou de Lisboa, é o Sr. Vinho não ser aqui...

Por isso, estimados leitores, se conhecem restaurantes aqui perto onde eu possa dar liberdade a esta minha condição de animal extremamente carnívoro, por favor não hesitem, todas as sugestões serão bem recebidas.


João


Morada:
Recta da Portela - Lugar do Ramalhão (depois do aeródromo de Vila Real, junto à Zona Industrial de Constantim)
5000-101
Folhadela Vila Real

Telefone:
25 933 68 16 

13/02/2013

truques e dicas - conservar ervas aromáticas no frigorífico

A propósito do último post, aqui fica um bom truque para conservar durante mais tempo as ervas aromáticas no frigorífico. Não sei se vos costuma acontecer, mas cá em casa é normal comprar um raminho fresco e passado dois ou três dias ter de o deitar fora quase inteiro...

Comprámos este raminho de coentros frescos na passada quarta-feira, e hoje ainda estava com um aspecto fresco e com aquele cheirinho agradável!


Basta que deixem o raminho num copo com um bocadinho de água e o tapem com um saco de plástico (sem apertar).  Depois, é só guardar no frigorífico!





Raquel

10/02/2013

ervas aromáticas - preparar e semear

Este Natal a Raquel ofereceu-me uma espécie de kit com material para plantar as minhas ervas aromáticas. Já há algum tempo que queria voltar a aventurar-me nestas lides, pois todas as tentativas que fiz acabaram em pragas, plantas secas, ou fracas colheitas.

Desta vez tenho a tarefa facilitada porque para além do kit, a Raquel deu-me um manual de ervas aromáticas para cozinheiros. Nesse livro explicam todo o processo, desde o semeio à colheita, passando ainda por algumas dicas de conservação, receitas e uma explicação exaustiva das várias espécies.


Foi quando uma leitora nos sugeriu que escrevêssemos sobre este tema, que me decidi finalmente a começar. Assim, com esta nova rubrica pretendo ir partilhando todo o processo, mas não prometo resultados brilhantes, pois é a primeira vez que levo isto a sério. Se tiverem dicas e sugestões, serão bem vindas.

Fevereiro é uma das melhores alturas para semear o que tenho (cebolinho, orégãos, coentros, salsa, tomilho, manjericão e malaguetas). Para plantar utilizei uns vasos de cartão que vêm num kit do Ikea e também reaproveitei um tacho e dois púcaros velhos. A única preocupação com o tipo de terra, é que seja apropriada para ervas aromáticas comestíveis. 

O kit do Ikea foi fácil, pois tem as suas próprias instruções. O kit vem com três pequenos vasos de cartão, cada um deles com uma porção de terra à qual se junta água, e sementes.


Para o tacho e púcaros improvisei um sistema de drenagem, furando os fundos e colocando umas pedras por baixo da terra. Os vasos para este tipo de ervas devem ter furos para escoar o excesso de água. Para separar a terra do metal, pus uma camada de plástico (cujo fundo também furei, nos sítios correspondentes aos buracos do metal).


Segundo o livro, salsa, coentros e tomilho coabitam muito bem, pelo que os plantei no mesmo vaso ou, neste caso, tacho.

Semear é a parte mais fácil: basta deitar as sementes sobre a terra já húmida ou em pequenos buracos (varia consoante a espécie, o melhor é consultar a informação que vem no pacote) e cobri-las com uma camada de cerca de 1 cm de terra. Por fim rega-se com pouca água e calca-se muito ligeiramente. 


Durante os primeiros tempos, até as ervas terem algum tamanho, a terra deve estar húmida, sem ser em excesso, e os vasos devem estar protegidos da luz solar e do frio, pelo que o melhor será guardá-los no interior.

Dentro de cerca de duas semanas espero ter novidades.


João

06/02/2013

receita - torrada de cogumelos e chouriço

Com fome e com pouca vontade de cozinhar, peguei em dois ingredientes e cozinhei-os de forma simples.

É preciso:

- pão
-chouriço (aconselho o de carne da Miguel&Miguel, que entretanto experimentei)
- alho
- azeite
- sal
- pimenta
- orégãos

Numa frigideira deitar um fio de azeite e colocar ao lume. Quando estiver quente (mas não demasiado) acrescentar umas rodelas de chouriço (há que ter atenção que um chouriço muito forte pode tornar-se enjoativo, se for o caso, diminuir na quantidade) e depois o alho picado. Ter atenção para o alho não queimar, ir mexendo. 

Quando o chouriço já estiver a ficar cozinhado, deitar uma mão bem cheia de cogumelos e temperar com uma pitada de sal e pimenta. Se for necessário, juntar mais um fio de azeite. 

Entretanto, colocar pão a torrar.

Em três ou quatro minutos os cogumelos já encolheram e estão cozinhados.

Apresentação: 

Colocar os cogumelos e chouriço em cima do pão e temperar com orégãos. Como podem ver na imagem, esta versão tinha muito chouriço. Da segunda vez já pus menos rodelas e acrescentei milho por cima (fica bom!)





Raquel

02/02/2013

o fenómeno sushi

A prova de que o sushi exerce um qualquer poder de atracção é que ontem, ao fazer zapping, não consegui deixar de ver o programa que dava no canal Odisseia: «Gastronomia Global: o Sushi», já bem tarde.

Para quem se interessa por gastronomia e por curiosidades acerca da origem dos pratos e tradições, vale a pena dar uma vista de olhos a esta série que foca vários pratos de sucesso a nível global: sushi, pizzas, etc.

De facto, o sushi é um fenómeno global, do Japão ao Brasil, passando pela Europa e Estados Unidos, esta especialidade japonesa tem a capacidade de se adaptar e reinventar, moldando-se aos países por onde vai entrando, muito embora seja possível continuar a encontrar uma vertente mais tradicional e clássica desta cozinha.

Desde restaurantes requintados e muito caros, a versões mais baratas, não esquecendo a cada vez maior quantidade de restaurantes chineses que se mascaram de japoneses, o sushi invadiu todos os cantos do mundo, tornando-se uma espécie de embaixador do Japão.

A verdade é que esta questão já levantou problemas por se recear que a imagem de qualidade e perfeição desta cozinha fosse denegrida devido ao facto de qualquer um, em qualquer sítio fazer e servir sushi.

A mestria dos grandes chefs japoneses ou de cozinha japonesa é impressionante. Vê-los a preparar o peixe e a fazer cortes de uma perfeição geométrica, presenciar o domínio exímio das facas, é quase assistir um espectáculo. Mizutani, um conhecido chef, afirmou que quando pega numa faca tem a sensação de que esta é um prolongamento do seu dedo, e que quando corta o peixe, sente que o corta com o dedo.

Ir a um bom restaurante de sushi passa mesmo por essa ligação entre chef e clientes. Do outro lado do balcão temos alguém que não só nos prepara a comida como nos entretém, como se estivesse num palco. É todo um ritual.

A ligação dos japoneses com o peixe e este seu talento natural pode ser explicado por viverem num arquipélago de ilhas montanhosas, em que o principal recurso é o mar, não esquecendo as plantações de arroz. O peixe é mesmo importante nesta sociedade: em Tóquio há um mercado de peixe que é gigante onde se leiloam atuns. Já foi leiloado um atum por um preço mais alto que um Ferrari...!

Apesar do sucesso do sushi, a sua origem tem sido relegada para segundo plano. Nem toda a gente aprecia sushi na sua forma mais arcaica: os peixes são capturados, retiram-se as guelras e ficam a fermentar durante dois anos em água e sal, nuns tonéis de madeira bem fechados. Depois secam-nos ao sol, envolvem-nos em arroz cozido e são guardados mais uns meses. Entretanto as espinhas já amoleceram e o peixe tem outro sabor...

Os niguiris, que nós por cá conhecemos tão bem (peixe ou marisco sobre uma bola de arroz avinagrada), surgiram em 1824 como fast food servida na rua e comida à mão. Os rolos califórnia, com arroz por fora e abacate, tal como o nome indica, não foram criados pelos japoneses, mas pelos americanos em 1970. 

Embora seja surpreendente, um dos mais conhecidos chefs afirma que mais importante que a qualidade do peixe,  é a qualidade e sabor do arroz, que se forem maus podem tornar o sushi péssimo, mesmo que o peixe seja do melhor.

Enfim, estas curiosidades e outras despertaram o meu interesse e, claro, deixaram-me com vontade de comer sushi. 

Em Portugal a maioria dos restaurantes de sushi não nos serve verdadeira comida japonesa, mas já existem bons restaurantes de sushi moderno e de fusão (como o Sushi Cafe Avenida), e há um onde vale a pena ir: Tomo. O chef (que era o cozinheiro da embaixada do Japão em Portugal) prepara tudo à nossa frente, por detrás de um balcão. A lista é infinita, o peixe é óptimo e o preço, como se imagina, caro! 



Raquel


27/01/2013

receita - creme de abóbora menina com espuma de queijo da ilha

Esta receita não é minha, vi-a no programa JA ao lume, do José Avillez, experimentei fazer, adaptando-a, e recomendo! 

O contraste entre o sabor forte do queijo da ilha e a suavidade da abóbora menina é muito bom, para além de ser muito fácil de fazer...

É preciso:

- alho francês
- abóbora menina
- azeite
- sal
- leite
- natas
- queijo da ilha
- pimenta

Corta-se o alho francês (bem lavado e sem a parte verde) e a abóbora menina (descascada e sem pevides) em pedaços e refoga-se num pouco de azeite. Cobre-se com água previamente aquecida, tempera-se com sal e deixa-se cozinhar.

Num tacho pequeno juntam-se dois terços de leite para um terço de natas (por exemplo, 100ml de leite para 50ml de natas), junta-se queijo da ilha ralado (no caso dos 100ml de leite e 50ml de natas, juntar 100g de queijo), tempera-se com sal e pimenta e deixa-se em lume brando, mexendo de vez em quando, até o queijo ficar bem misturado.

Quando a abóbora estiver cozinhada (espetar com um garfo, se não oferecer resistência, já está), triturar e rectificar o tempero, se necessário.

Imediatamente antes de servir, emulsiona-se a mistura de leite, natas e queijo com uma varinha mágica. É suposto ficar com muita espuma.

Apresentação:
Num prato ou tigela, a sopa de abóbora com a espuma de queijo da ilha por cima e uma pitada de pimenta.




João

25/01/2013

foodies na Tentações

Se folhearem o suplemento Tentações, da Revista Sábado que saiu ontem, vão encontrar por lá o nosso nome. O número de hoje foca as novas tribos urbanas, em que se encontram os foodies
 

 Responder às questões que nos fizeram deu-nos tanto gozo que decidimos partilhar convosco as nossas respostas a todas as perguntas. Na revista poderão ler outras respostas de outros foodies e espreitar as outras tribos!


1. O que é um foodie?
Um foodie é alguém que se interessa por comida, desde comprá-la, prepará-la, servi-la, comê-la. Ou seja, alguém que retira prazer da experiência de cozinhar e comer. 

Assim, os foodies adaptam-se bem a qualquer sítio, não são preconceituosos, conseguem ser camaleónicos: se o restaurante for requintado e com clientela mais chique, adoptam essa postura; se forem a uma tasca simples, a postura será outra, mais descontraída. Contudo, não gostam de ir a um sítio ao engano, nem têm paciência para restaurantes cuja decoração e pinta apontam para uma coisa, e a carta e comida é absolutamente normal ou má. 

Outra característica está no facto de que não só importa o que se come, mas onde e como. Pegar no almoço e comê-lo num banco de jardim, no meio do pinhal, bosque, praia, ou até no carro, faz de uma pessoa um foodie. Comer na cozinha, em pé, enquanto se prepara mais coisas, também. Comer a ver televisão. Para um foodie, comer não precisa de ser um ritual habitual, rígido. 

Os foodies gostam de viajar dentro e fora do país e experimentar pratos e comida da zona, ver programas de televisão de cozinha, fotografias de pratos, ler livros de receitas, ver sites e blogues. 

Os foodies gostam de cozinhar no campismo.

2. Consegues dizer-nos três sítios onde podemos normalmente encontrar foodies?
Podemos encontrar foodies em restaurantes (em qualquer um, lá está); na secção de gastronomia das livrarias; em lojas com acessórios e produtos de cozinha e em workshops.

3. E três sítios onde os foodies vão às compras?
Se as compras não forem de comida, em qualquer sítio. Se a questão for direccionada para compras relacionadas com cozinha e comida, para além dos grandes supermercados, em três outros sítios: mercados; supermercado do El Corte Inglés que tem produtos de qualidade e produtos importados; lojas pequenas com produtos importados (como na Mouraria).

4. E outros três sítios onde vão jantar?
Sendo que nos tomamos a nós como exemplo: Castro Elias (petiscos bons, com um toque); Sushi Café Avenida; Nood. 

Mas fora de Lisboa procuramos restaurantes mais pequenos e onde há um prato que sabemos ser bom (por exemplo o restaurante Bolas, perto de Évora, que tem uma sopa de poejo e borrego óptimos, ou o restaurante A Fonte em São Pedro de Moel, que tem o melhor arroz de polvo de sempre).


5. Por fim, três sítios onde vão sair à noite?
Os foodies vão sair à noite para os locais habituais, não se distinguem das restantes tribos ou pessoas. 

No entanto, o que importa perguntar, é “onde é que os foodies vão depois de sair à noite?” Aí sim, há uma diferença: os foodies gostam de comer antes de ir para casa. Por isso procuram uma roulotte para um cachorro ou um kebab, uma tasca aberta até tarde (como a Tasca do Esteves em Alcântara onde há um bom prego), ou os conhecidos bolos e pães com chouriço, vendidos através de grades (no Bairro Alto ou no Alto de Santo Amaro).

6. Sobre vocês... quem são? E porque é que começaram este blogue?
Somos o João e a Raquel. Entre a arquitectura (João), a ciência política e estudos de intelligence (Raquel), vamos aproveitando a vida.

De tal forma que, com tantos passeios e jantares, nos começaram a chamar de bons vivants, sempre na boa vida. Pensámos: «porque não partilhar com os outros as nossas experiências na cozinha, em viagem, em restaurantes»?



Raquel e João

23/01/2013

restaurante - Osteria cucina di amici


Conceitos gastos e restaurantes iguais a todos os outros, apenas com um ou outro detalhe diferente, não são muito entusiasmantes. Num momento em que comer está na moda e o gourmet impera (para o bem e para o mal), é importante dar lugar à criatividade. É importante que haja algo de interessante e novo para que a comida não se torne cinzenta e aborrecida.

Para isso são precisas ideias. Boas ideias, simples, sem quererem ser mais do que aquilo que podem ser. Ideias como a que deu origem ao restaurante Osteria: associar o melhor da autêntica comida regional italiana ao conceito do petisco português.

Pratos pequenos, doses para partilhar e tudo cozinhado com o máximo respeito pela tradição italiana. Tudo isto num ambiente "retro cool urbano", com mesas e cadeiras diferentes, num espaço pequeno mas acolhedor. Simpatia de quem atende, com o cuidado de explicar os pratos e a sua origem, sem arrogância e com orgulho. Na nossa ida ao Osteria começámos por pedir coelho em conserva, nada de especial, demasiado oleoso, praticamente não deixando sentir o sabor do coelho (à Raquel soube-lhe a bacalhau...)! Talvez a qualidade das conservas portuguesas afecte a forma como experimentamos outras… Porém, o pão caseiro com que acompanhámos a conserva era uma focaccia excepcional. 

De seguida comemos uns polipetti (polvos muito pequeninos) com molho de tomate, azeitonas e alcaparras, que era um dos pratos do dia. O prato estava muito bom, bem temperado, com um molho de tomate denso e cheio de sabor. Ainda pedimos uns gnocchi deliciosos (os heróis da noite), acabadinhos de sair do forno, com natas a borbulhar, queijo derretido e alecrim a dar cor. Para terminar ainda partilhámos uma tarte de limão com pinhões que estava bastante boa. 

Não podia acabar este texto sem referir a sangria branca... Que coisa boa! Quem diria que vinho branco e limoncello combinariam tão bem… O único senão foi ter ido de carro, senão tinha-me deixado levar e bebido mais uns copos… 

Resta ainda acrescentar que o preço ronda os 15€ por pessoa, o que, tendo em conta a quantidade e variedade do que comemos, não está nada mal. Voltaremos certamente, para provar os outros pratos da ementa. 


João


Morada:
Rua das Madres, nº 52-54
1200 Lisboa-Madragoa

Telefone:
21 396 0584