02/02/2013

o fenómeno sushi

A prova de que o sushi exerce um qualquer poder de atracção é que ontem, ao fazer zapping, não consegui deixar de ver o programa que dava no canal Odisseia: «Gastronomia Global: o Sushi», já bem tarde.

Para quem se interessa por gastronomia e por curiosidades acerca da origem dos pratos e tradições, vale a pena dar uma vista de olhos a esta série que foca vários pratos de sucesso a nível global: sushi, pizzas, etc.

De facto, o sushi é um fenómeno global, do Japão ao Brasil, passando pela Europa e Estados Unidos, esta especialidade japonesa tem a capacidade de se adaptar e reinventar, moldando-se aos países por onde vai entrando, muito embora seja possível continuar a encontrar uma vertente mais tradicional e clássica desta cozinha.

Desde restaurantes requintados e muito caros, a versões mais baratas, não esquecendo a cada vez maior quantidade de restaurantes chineses que se mascaram de japoneses, o sushi invadiu todos os cantos do mundo, tornando-se uma espécie de embaixador do Japão.

A verdade é que esta questão já levantou problemas por se recear que a imagem de qualidade e perfeição desta cozinha fosse denegrida devido ao facto de qualquer um, em qualquer sítio fazer e servir sushi.

A mestria dos grandes chefs japoneses ou de cozinha japonesa é impressionante. Vê-los a preparar o peixe e a fazer cortes de uma perfeição geométrica, presenciar o domínio exímio das facas, é quase assistir um espectáculo. Mizutani, um conhecido chef, afirmou que quando pega numa faca tem a sensação de que esta é um prolongamento do seu dedo, e que quando corta o peixe, sente que o corta com o dedo.

Ir a um bom restaurante de sushi passa mesmo por essa ligação entre chef e clientes. Do outro lado do balcão temos alguém que não só nos prepara a comida como nos entretém, como se estivesse num palco. É todo um ritual.

A ligação dos japoneses com o peixe e este seu talento natural pode ser explicado por viverem num arquipélago de ilhas montanhosas, em que o principal recurso é o mar, não esquecendo as plantações de arroz. O peixe é mesmo importante nesta sociedade: em Tóquio há um mercado de peixe que é gigante onde se leiloam atuns. Já foi leiloado um atum por um preço mais alto que um Ferrari...!

Apesar do sucesso do sushi, a sua origem tem sido relegada para segundo plano. Nem toda a gente aprecia sushi na sua forma mais arcaica: os peixes são capturados, retiram-se as guelras e ficam a fermentar durante dois anos em água e sal, nuns tonéis de madeira bem fechados. Depois secam-nos ao sol, envolvem-nos em arroz cozido e são guardados mais uns meses. Entretanto as espinhas já amoleceram e o peixe tem outro sabor...

Os niguiris, que nós por cá conhecemos tão bem (peixe ou marisco sobre uma bola de arroz avinagrada), surgiram em 1824 como fast food servida na rua e comida à mão. Os rolos califórnia, com arroz por fora e abacate, tal como o nome indica, não foram criados pelos japoneses, mas pelos americanos em 1970. 

Embora seja surpreendente, um dos mais conhecidos chefs afirma que mais importante que a qualidade do peixe,  é a qualidade e sabor do arroz, que se forem maus podem tornar o sushi péssimo, mesmo que o peixe seja do melhor.

Enfim, estas curiosidades e outras despertaram o meu interesse e, claro, deixaram-me com vontade de comer sushi. 

Em Portugal a maioria dos restaurantes de sushi não nos serve verdadeira comida japonesa, mas já existem bons restaurantes de sushi moderno e de fusão (como o Sushi Cafe Avenida), e há um onde vale a pena ir: Tomo. O chef (que era o cozinheiro da embaixada do Japão em Portugal) prepara tudo à nossa frente, por detrás de um balcão. A lista é infinita, o peixe é óptimo e o preço, como se imagina, caro! 



Raquel


27/01/2013

receita - creme de abóbora menina com espuma de queijo da ilha

Esta receita não é minha, vi-a no programa JA ao lume, do José Avillez, experimentei fazer, adaptando-a, e recomendo! 

O contraste entre o sabor forte do queijo da ilha e a suavidade da abóbora menina é muito bom, para além de ser muito fácil de fazer...

É preciso:

- alho francês
- abóbora menina
- azeite
- sal
- leite
- natas
- queijo da ilha
- pimenta

Corta-se o alho francês (bem lavado e sem a parte verde) e a abóbora menina (descascada e sem pevides) em pedaços e refoga-se num pouco de azeite. Cobre-se com água previamente aquecida, tempera-se com sal e deixa-se cozinhar.

Num tacho pequeno juntam-se dois terços de leite para um terço de natas (por exemplo, 100ml de leite para 50ml de natas), junta-se queijo da ilha ralado (no caso dos 100ml de leite e 50ml de natas, juntar 100g de queijo), tempera-se com sal e pimenta e deixa-se em lume brando, mexendo de vez em quando, até o queijo ficar bem misturado.

Quando a abóbora estiver cozinhada (espetar com um garfo, se não oferecer resistência, já está), triturar e rectificar o tempero, se necessário.

Imediatamente antes de servir, emulsiona-se a mistura de leite, natas e queijo com uma varinha mágica. É suposto ficar com muita espuma.

Apresentação:
Num prato ou tigela, a sopa de abóbora com a espuma de queijo da ilha por cima e uma pitada de pimenta.




João

25/01/2013

foodies na Tentações

Se folhearem o suplemento Tentações, da Revista Sábado que saiu ontem, vão encontrar por lá o nosso nome. O número de hoje foca as novas tribos urbanas, em que se encontram os foodies
 

 Responder às questões que nos fizeram deu-nos tanto gozo que decidimos partilhar convosco as nossas respostas a todas as perguntas. Na revista poderão ler outras respostas de outros foodies e espreitar as outras tribos!


1. O que é um foodie?
Um foodie é alguém que se interessa por comida, desde comprá-la, prepará-la, servi-la, comê-la. Ou seja, alguém que retira prazer da experiência de cozinhar e comer. 

Assim, os foodies adaptam-se bem a qualquer sítio, não são preconceituosos, conseguem ser camaleónicos: se o restaurante for requintado e com clientela mais chique, adoptam essa postura; se forem a uma tasca simples, a postura será outra, mais descontraída. Contudo, não gostam de ir a um sítio ao engano, nem têm paciência para restaurantes cuja decoração e pinta apontam para uma coisa, e a carta e comida é absolutamente normal ou má. 

Outra característica está no facto de que não só importa o que se come, mas onde e como. Pegar no almoço e comê-lo num banco de jardim, no meio do pinhal, bosque, praia, ou até no carro, faz de uma pessoa um foodie. Comer na cozinha, em pé, enquanto se prepara mais coisas, também. Comer a ver televisão. Para um foodie, comer não precisa de ser um ritual habitual, rígido. 

Os foodies gostam de viajar dentro e fora do país e experimentar pratos e comida da zona, ver programas de televisão de cozinha, fotografias de pratos, ler livros de receitas, ver sites e blogues. 

Os foodies gostam de cozinhar no campismo.

2. Consegues dizer-nos três sítios onde podemos normalmente encontrar foodies?
Podemos encontrar foodies em restaurantes (em qualquer um, lá está); na secção de gastronomia das livrarias; em lojas com acessórios e produtos de cozinha e em workshops.

3. E três sítios onde os foodies vão às compras?
Se as compras não forem de comida, em qualquer sítio. Se a questão for direccionada para compras relacionadas com cozinha e comida, para além dos grandes supermercados, em três outros sítios: mercados; supermercado do El Corte Inglés que tem produtos de qualidade e produtos importados; lojas pequenas com produtos importados (como na Mouraria).

4. E outros três sítios onde vão jantar?
Sendo que nos tomamos a nós como exemplo: Castro Elias (petiscos bons, com um toque); Sushi Café Avenida; Nood. 

Mas fora de Lisboa procuramos restaurantes mais pequenos e onde há um prato que sabemos ser bom (por exemplo o restaurante Bolas, perto de Évora, que tem uma sopa de poejo e borrego óptimos, ou o restaurante A Fonte em São Pedro de Moel, que tem o melhor arroz de polvo de sempre).


5. Por fim, três sítios onde vão sair à noite?
Os foodies vão sair à noite para os locais habituais, não se distinguem das restantes tribos ou pessoas. 

No entanto, o que importa perguntar, é “onde é que os foodies vão depois de sair à noite?” Aí sim, há uma diferença: os foodies gostam de comer antes de ir para casa. Por isso procuram uma roulotte para um cachorro ou um kebab, uma tasca aberta até tarde (como a Tasca do Esteves em Alcântara onde há um bom prego), ou os conhecidos bolos e pães com chouriço, vendidos através de grades (no Bairro Alto ou no Alto de Santo Amaro).

6. Sobre vocês... quem são? E porque é que começaram este blogue?
Somos o João e a Raquel. Entre a arquitectura (João), a ciência política e estudos de intelligence (Raquel), vamos aproveitando a vida.

De tal forma que, com tantos passeios e jantares, nos começaram a chamar de bons vivants, sempre na boa vida. Pensámos: «porque não partilhar com os outros as nossas experiências na cozinha, em viagem, em restaurantes»?



Raquel e João

23/01/2013

restaurante - Osteria cucina di amici


Conceitos gastos e restaurantes iguais a todos os outros, apenas com um ou outro detalhe diferente, não são muito entusiasmantes. Num momento em que comer está na moda e o gourmet impera (para o bem e para o mal), é importante dar lugar à criatividade. É importante que haja algo de interessante e novo para que a comida não se torne cinzenta e aborrecida.

Para isso são precisas ideias. Boas ideias, simples, sem quererem ser mais do que aquilo que podem ser. Ideias como a que deu origem ao restaurante Osteria: associar o melhor da autêntica comida regional italiana ao conceito do petisco português.

Pratos pequenos, doses para partilhar e tudo cozinhado com o máximo respeito pela tradição italiana. Tudo isto num ambiente "retro cool urbano", com mesas e cadeiras diferentes, num espaço pequeno mas acolhedor. Simpatia de quem atende, com o cuidado de explicar os pratos e a sua origem, sem arrogância e com orgulho. Na nossa ida ao Osteria começámos por pedir coelho em conserva, nada de especial, demasiado oleoso, praticamente não deixando sentir o sabor do coelho (à Raquel soube-lhe a bacalhau...)! Talvez a qualidade das conservas portuguesas afecte a forma como experimentamos outras… Porém, o pão caseiro com que acompanhámos a conserva era uma focaccia excepcional. 

De seguida comemos uns polipetti (polvos muito pequeninos) com molho de tomate, azeitonas e alcaparras, que era um dos pratos do dia. O prato estava muito bom, bem temperado, com um molho de tomate denso e cheio de sabor. Ainda pedimos uns gnocchi deliciosos (os heróis da noite), acabadinhos de sair do forno, com natas a borbulhar, queijo derretido e alecrim a dar cor. Para terminar ainda partilhámos uma tarte de limão com pinhões que estava bastante boa. 

Não podia acabar este texto sem referir a sangria branca... Que coisa boa! Quem diria que vinho branco e limoncello combinariam tão bem… O único senão foi ter ido de carro, senão tinha-me deixado levar e bebido mais uns copos… 

Resta ainda acrescentar que o preço ronda os 15€ por pessoa, o que, tendo em conta a quantidade e variedade do que comemos, não está nada mal. Voltaremos certamente, para provar os outros pratos da ementa. 


João


Morada:
Rua das Madres, nº 52-54
1200 Lisboa-Madragoa

Telefone:
21 396 0584

21/01/2013

novidades e sugestões - Patak's

Se nunca fez um caril ou outro prato indiano por não saber exactamente que especiarias utilizar, onde as encontrar, ou por ter receio que não saia bem, este texto é mesmo para si!

Este texto é também para aqueles que, mesmo sabendo cozinhar um bom caril, querem ter a certeza que sai sempre bem, ou que não perdem muito tempo na cozinha...

A Patak's, marca da Grã-Bretanha, tem uma imensa gama de molhos, pastas, chutneys e pickles indianos. Não só pela história de quem lançou a marca e teve esta óptima ideia (podem ler aqui), mas também pela qualidade dos produtos, vale mesmo a pena experimentar.

Já experimentámos as pastas e molhos de tikka masala e korma, que são absolutamente deliciosos e muito fáceis de utilizar, bastando seguir as indicações do frasco (no casos das pastas, normalmente basta misturar o conteúdo com iogurte ou leite de coco, embora já tenhamos experimentado com natas e também tenha ficado bom). 

Para além das pastas, o pickle de manga, preferencialmente na versão mais picante, é também óptimo, e fica bem numa série de pratos!






Não se encontra à venda em qualquer sítio, mas regra geral há no El Corte Inglés e nos supermercados Jumbo.



Raquel

17/01/2013

duas coisas

Antes de vos pedirmos um favor, temos a dizer-vos que até ao final de dia 18 (sexta-feira) está a decorrer um passatempo no nosso facebook, para ganhar um jantar no Tapas da Serra. Espreitem, leiam as condições (muito simples) e concorram!

Queríamos também pedir-vos um pequeno favor, que não custa nada: acedam a este link, procurem pelo nome les bons vivants na coluna (está por ordem alfabética), cliquem na bolinha ao lado do nome e mais abaixo, no fim da coluna, em votar! Sem registos, sem nomes, nada! É super rápido e ajudam-nos a manter-nos no top 5 da categoria blogue revelação 2012 num concurso de blogues! 


João e Raquel

14/01/2013

receita - salmão com sementes de sésamo e legumes grelhados

Há uns tempos fiz um workshop de receitas de peixe na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa. Entre outras coisas aprendi esta receita de salmão, muito fácil, rápida e bastante saudável.

É preciso:

- lombo de salmão
- molho de soja
- sementes de sésamo
- cogumelos
- espargos
- pimento (neste caso usei amarelo, mas pode ser outro qualquer)
- courgette
- beringela


Em primeiro lugar arranja-se o lombo de salmão: retiram-se as espinhas e a pele e corta-se em doses individuais (caso não esteja já assim preparado).

Reserva-se o salmão e preparam-se os legumes: lavam-se os cogumelos e cortam-se em fatias; descascam-se os espargos e cortam-se em pedaços; lava-se o pimento, retira-se-lhe as sementes e corta-se em pedaços; lava-se e fatiam-se a courgette e a beringela.

De seguida grelham-se os legumes até ficarem marcados, sem que cozinhem demasiado, visto que ainda vão ser terminados no forno.

Já grelhados, temperam-se os legumes com sal, pimenta, oregãos e um fio de azeite, e levam-se ao forno.

Para temperar o salmão basta passá-lo por molho de soja e pressionar uma das suas faces contra sementes de sésamo. Não necessita de sal porque o molho de soja é suficiente para temperar o salmão.

Leva-se ao forno a 220º durante cerca de 4 minutos e está pronto!

Apresentação:
O lombo de salmão sobre os legumes grelhados.




João

09/01/2013

1 ano!

Hoje completamos um ano! Já passaram doze meses desde que escrevemos o primeiro post, desde que decidimos partilhar convosco as nossas experiências e aventuras na cozinha, em restaurantes, em passeio. Tem sido muito bom, e ter-vos desse lado a ler-nos, é o que nos faz continuar!

Deixamos um texto com uma espécie de best of de 2012, que foi também o nosso primeiro ano de existência (o texto foi originalmente publicado aqui):

Janeiro:
- Publicámos a primeira receita no blogue: um lombo de salmão em marinada de tangerina com molho de espinafres e malagueta verde! A experiência correu bem e o prato é delicioso!
- Conhecemos o Restaurante de Aplicação da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa que serve almoços e jantares durante a semana, com imensa qualidade e requinte por apenas 15€. Vale mesmo a pena! A ementa semanal pode ser consultada aqui

Fevereiro:
- A Taberna Portuguesa, que temos visto crescer, foi-nos apresentada por esta altura. Atendimento simpático, petiscos e bebidas apenas com selo nacional.
- A primeira tentativa de confecção de sobremesa saiu bem, muito bem! Uns gulosos fondants de chocolate, cuja receia pode ser lida aqui

Março:
- Em Arraiolos descobrimos o restaurante O Alpendre, bem acolhedor e com umas migas de chorar por mais!
- Foi nesta altura que deixámos aos nossos leitores a sugestão de «jantar fora em casa», uma forma mais barata de desfrutar de bons jantares. 

Abril:
- Demos um salto até ao Porto e descobrirmos o restaurante Solar do Moinho de Vento, tradicional e bem bom.  
- Viajámos até Londres, onde, entre muitas outras coisas, conhecemos o restaurante Claridge’s do Gordon Ramsay.

Maio:
- Descobrimos um bom italiano em Lisboa, em pleno Chiado, a Pizzeria Mezzogiorno.
- Acrescentámos uma sobremesa à nossa lista, bem fácil de fazer: crumble de pêra.

Junho:
- Escrevemos a primeira crónica para o P3, dando sugestões para um fim-de-semana low cost.
- Conhecemos um sítio agradável onde jantar no centro de Leiria, a Taverna do Palaio

Julho:
- Conhecemos outro restaurante italiano que aconselhamos, o Esperança Sé.

Agosto:
- Deliciámo-nos com uma receita óptima para o Verão: entrecosto com laranja e hortelã. A receita pode ser lida aqui.
- Deram-nos a conhecer um tesouro escondido entre Monchique e Aljezur, a Tasca do Petrol!
- Descobrimos um parque de campismo fantástico, perto de Vila do Bispo: Quinta dos Carriços

Setembro:
- Fizemos umas espetadas de frango saborosas, que podem ver aqui.
- Fizemos um lombinho de porco com mostarda e maçã óptimo, que podem ver aqui.

Outubro:
- Escrevemos sobre a viagem pela Costa Vicentina, com dicas e sugestões de sítios onde ir.
- Experimentámos uma salada quente de courgette com bacon e maçã, bem boa.  

Novembro:
- Mais uma sobremesa fácil e de sucesso garantido: bolo columbia
- Descobrimos como fazer batatas fritas de pacote… em casa! Leiam aqui.
 
Dezembro:
- Comemos o melhor bitoque de sempre, no Artis. Carne saborosa e tenra acompanhada de um molho delicioso.
- Partilhámos um truque para que os ovos mexidos fiquem no ponto. Vejam aqui


Um óptimo 2013 para todos vocês e que seja um ano de muito boa vida, com saúde, paisagens bonitas e muito sabor!


João e Raquel