Se tivesse de descrever Barcelona* em três adjectivos escolheria estes: vaidosa, elegante e fria.
A vaidade e elegância da cidade estão presentes na obra arquitectónica que por lá podemos ver, provavelmente o que de mais bonito tem. Conjugando o tradicional com o moderno, as ruas de Barcelona, o planeamento urbanístico da cidade, os seus edifícios, sejam habitacionais ou não, conjugam-se na perfeição, resultando numa mistura inteligente, original e encantadora.
De facto, a riqueza da arquitectura deixa-nos espantados. Podemos ver edifícios antiquíssimos sem que o seu estado de conservação esteja descuidado, com fachadas trabalhadas, ornamentadas e imponentes que se misturam surpreendentemente bem com um legado mais moderno. Podermos ver lojas e espaços comerciais a funcionar em edifícios antigos, não os remetendo à inutilidade ou abandono, é das escolhas mais inteligentes e sensatas que existem.
As ruas e os bairros organizados geometricamente e cortados pela grande Avinguda Diagonal que atravessa a cidade, tornam-na mais fácil percorrer e entender, tendo uma percepção global da sua planta. As esquinas, ao invés de serem em ângulo recto, como é mais comum, têm uma abertura que oferece mais espaço a quem anda a pé, ampliando as ruas e alargando os passeios.
Os mapas encurtam em muito as distâncias entre dois pontos: Barcelona é sempre maior do que pensamos e galgar as grandes avenidas, atravessar as largas estradas leva mais tempo do que o previsto.
As grandes praças são monumentais e, por maiores que sejam, estão sempre cheias de pessoas, da terra e de fora, num rodopio intenso que faz com que seja uma cidade viva, onde se cruza todo o tipo de gente.
Cosmopolita, Barcelona é uma passerelle onde desfilam mulheres e homens que espelham o último grito da moda; jovens mais alternativos com roupa descontraída, metaleiros, freaks e meninos bem, de todas as nacionalidades e origens.
No entanto, todo este movimento e imponência podem dar a sensação de que esta é uma cidade fria, que nos ignora e nos faz sentir pequenos no meio de tanta agitação e grandeza. Os bancos individuais que podemos encontrar em vários locais da cidade podem ser símbolo dessa individualidade e egoísmo que se pressentem.
Comer é um verdadeiro prazer para estas pessoas, pelo menos se nos lembrarmos dos balcões que se enchem de gente que, à pressa e em pé, vai tomando as suas refeições, deixando os lugares sentados e da esplanada para aqueles que estão dispostos a pagar mais por isso. Em todo o lado, há um espaço que vende sandes, pizzas, comida para fora e para se comer a andar.
A horizontalidade da cidade é um convite às bicicletas que se juntam ao trânsito controlado e aos passeios. Skates, trotinetas e patins são outros meios escolhidos para percorrer Barcelona.
O Metro é, quase de certeza, o transporte mais prático e cómodo. As ligações entre linhas são fáceis, as viagens são curtas e não se tem de esperar mais de três minutos por ele. Mais caricatas são as estações e os corredores labirínticos que unem as várias linhas, alguns ao ponto de meter medo, por tão grandes e recônditos.
Embora percebam bem português, os catalães não aparentam ser os mais simpáticos do mundo, mas, como em tudo, há excepções. A verdade é que parecem ser mais desconfiados e sérios do que outros espanhóis de outras cidades.
Mais do que uma vez tivemos de chamar a atenção para «erros» na conta, fruto de tentativas de enganar turistas, cobrando pedidos indevidamente.
Barcelona é uma mistura de sensações, difícil de exprimir. Ao mesmo tempo que nos deslumbra faz-nos ter saudades do que nos é familiar.
Raquel
* Visitámos Barcelona em Agosto de 2011 e em Janeiro de 2012