Madrid* não acaba, as suas ruas prolongam-se sem sabermos o seu início ou o seu fim e, por isso, andamos por elas sabendo sempre que estamos perto. Perto de alguma coisa. De praças largas, arcadas, jardins e avenidas, ruas e locais inesperados.
A banda sonora de Madrid pode ser descrita pela música de fundo, ou chamemos-lhe antes ruído, das pessoas a andar e a falar, dos vendedores de rua, pelo som dos copos e pratos a serem pousados nas mesas das incontáveis esplanadas que decoram toda a cidade.
Por todo o lado sentimos um permanente odor a comida que nos leva a experimentar mais um local e a parar para ver mais um cardápio.
Todo esse movimento e toda esta vida que se mantém durante a noite, torna Madrid uma cidade difícil de penetrar à primeira. As ruas sem princípio nem fim fazem da cidade um labirinto orgânico onde no entanto sabemos, no fim, encontrar tudo.
Apesar de ser uma cidade com muitas pessoas, em muitas zonas parece que não damos por elas devido à largura e espaço das ruas, avenidas e praças. No entanto, se olharmos à nossa volta, não faltam pessoas e famílias a pousar junto dos principais marcos da cidade.
À primeira vista Madrid pareceu-nos ser agressiva. Aos poucos, e ao visitar os seus três principais museus, demo-nos conta de que afinal é uma cidade sensível. Essa sensibilidade, podemos também pressenti-la no bom gosto dos edifícios e na sua excepcional conservação, nos jardins ou até mesmo nos sem-abrigo que encontramos na rua a ler um livro.
Ao mesmo tempo Madrid consegue ser uma cidade prática, com lojas de conveniência em cada esquina, hotéis, hostels e pensões para os mais variados bolsos, já para não mencionar a enorme oferta de sítios onde comer, petiscar, beber e descansar.
É de louvar a quantidade de sombras e de bancos de rua que a cidade tem, tornando fácil de suportar os seus quentes dias de Verão.
Um dos aspectos mais desagradáveis é a quantidade de lixo no chão, sendo comum as pessoas não usarem os caixotes do lixo, numa lógica de «já não preciso disto, vai para o chão».
Conduzir nesta cidade é um acto heróico e desnecessário, uma vez que a rede de transportes públicos é rápida e confortável.
Madrid é também uma cidade de escolhas, na impossibilidade de visitar, ver e fotografar tudo o que nos tem para oferecer, cresce a vontade de lá voltar e de lá nos voltarmos a perder.
Raquel










