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31/01/2012

viagens e sítios - Barcelona

Se tivesse de descrever Barcelona* em três adjectivos escolheria estes: vaidosa, elegante e fria. 

A vaidade e elegância da cidade estão presentes na obra arquitectónica que por lá podemos ver, provavelmente o que de mais bonito tem. Conjugando o tradicional com o moderno, as ruas de Barcelona, o planeamento urbanístico da cidade, os seus edifícios, sejam habitacionais ou não, conjugam-se na perfeição, resultando numa mistura inteligente, original e encantadora.

De facto, a riqueza da arquitectura deixa-nos espantados. Podemos ver edifícios antiquíssimos sem que o seu estado de conservação esteja descuidado, com fachadas trabalhadas, ornamentadas e imponentes que se misturam surpreendentemente bem com um legado mais moderno. Podermos ver lojas e espaços comerciais a funcionar em edifícios antigos, não os remetendo à inutilidade ou abandono, é das escolhas mais inteligentes e sensatas que existem. 

As ruas e os bairros organizados geometricamente e cortados pela grande Avinguda Diagonal que atravessa a cidade, tornam-na mais fácil percorrer e entender, tendo uma percepção global da sua planta. As esquinas, ao invés de serem em ângulo recto, como é mais comum, têm uma abertura que oferece mais espaço a quem anda a pé, ampliando as ruas e alargando os passeios. 

Os mapas encurtam em muito as distâncias entre dois pontos: Barcelona é sempre maior do que pensamos e galgar as grandes avenidas, atravessar as largas estradas leva mais tempo do que o previsto.

As grandes praças são monumentais e, por maiores que sejam, estão sempre cheias de pessoas, da terra e de fora, num rodopio intenso que faz com que seja uma cidade viva, onde se cruza todo o tipo de gente. 

Cosmopolita, Barcelona é uma passerelle onde desfilam mulheres e homens que espelham o último grito da moda; jovens mais alternativos com roupa descontraída, metaleiros, freaks e meninos bem, de todas as nacionalidades e origens. 

No entanto, todo este movimento e imponência podem dar a sensação de que esta é uma cidade fria, que nos ignora e nos faz sentir pequenos no meio de tanta agitação e grandeza. Os bancos individuais que podemos encontrar em vários locais da cidade podem ser símbolo dessa individualidade e egoísmo que se pressentem. 

Comer é um verdadeiro prazer para estas pessoas, pelo menos se nos lembrarmos dos balcões que se enchem de gente que, à pressa e em pé, vai tomando as suas refeições, deixando os lugares sentados e da esplanada para aqueles que estão dispostos a pagar mais por isso. Em todo o lado, há um espaço que vende sandes, pizzas, comida para fora e para se comer a andar.

A horizontalidade da cidade é um convite às bicicletas que se juntam ao trânsito controlado e aos passeios. Skates, trotinetas e patins são outros meios escolhidos para percorrer Barcelona. 

O Metro é, quase de certeza, o transporte mais prático e cómodo. As ligações entre linhas são fáceis, as viagens são curtas e não se tem de esperar mais de três minutos por ele. Mais caricatas são as estações e os corredores labirínticos que unem as várias linhas, alguns ao ponto de meter medo, por tão grandes e recônditos.  

Embora percebam bem português, os catalães não aparentam ser os mais simpáticos do mundo, mas, como em tudo, há excepções. A verdade é que parecem ser mais desconfiados e sérios do que outros espanhóis de outras cidades. 

Mais do que uma vez tivemos de chamar a atenção para «erros» na conta, fruto de tentativas de enganar turistas, cobrando pedidos indevidamente. 

Barcelona é uma mistura de sensações, difícil de exprimir. Ao mesmo tempo que nos deslumbra faz-nos ter saudades do que nos é familiar.



Raquel

* Visitámos Barcelona em Agosto de 2011 e em Janeiro de 2012






18/01/2012

viagens e sítios - Madrid

Madrid* não acaba, as suas ruas prolongam-se sem sabermos o seu início ou o seu fim e, por isso, andamos por elas sabendo sempre que estamos perto. Perto de alguma coisa. De praças largas, arcadas, jardins e avenidas, ruas e locais inesperados.

A banda sonora de Madrid pode ser descrita pela música de fundo, ou  chamemos-lhe antes ruído, das pessoas a andar e a falar, dos vendedores de rua, pelo som dos copos e pratos a serem pousados nas mesas das incontáveis esplanadas que decoram toda a cidade.

Por todo o lado sentimos um permanente odor a comida que nos leva a experimentar mais um local e a parar para ver mais um cardápio.  

Todo esse movimento e toda esta vida que se mantém durante a noite, torna Madrid uma cidade difícil de penetrar à primeira. As ruas sem princípio nem fim fazem da cidade um labirinto orgânico onde no entanto sabemos, no fim, encontrar tudo.

Apesar de ser uma cidade com muitas pessoas, em muitas zonas parece que não damos por elas devido à largura e espaço das ruas, avenidas e praças. No entanto, se olharmos à nossa volta, não faltam pessoas e famílias a pousar junto dos principais marcos da cidade.

À primeira vista Madrid pareceu-nos ser agressiva. Aos poucos, e ao visitar os seus três principais museus, demo-nos conta de que afinal é uma cidade sensível. Essa sensibilidade, podemos também pressenti-la no bom gosto dos edifícios e na sua excepcional conservação, nos jardins ou até mesmo nos sem-abrigo que encontramos na rua a ler um livro.

Ao mesmo tempo Madrid consegue ser uma cidade prática, com lojas de conveniência em cada esquina, hotéis, hostels e pensões para os mais variados bolsos, já para não mencionar a enorme oferta de sítios onde comer, petiscar, beber e descansar. 

É de louvar a quantidade de sombras e de bancos de rua  que a cidade tem, tornando fácil de suportar os seus quentes dias de Verão. 

Um dos aspectos mais desagradáveis é a quantidade de lixo no chão, sendo comum as pessoas não usarem os caixotes do lixo, numa lógica de «já não preciso disto, vai para o chão». 

Conduzir nesta cidade é um acto heróico e desnecessário, uma vez que a rede de transportes públicos é rápida e confortável.

Madrid é também uma cidade de escolhas, na impossibilidade de visitar, ver e fotografar tudo o que nos tem para oferecer, cresce a vontade de lá voltar e de lá nos voltarmos a perder. 


Raquel

* Visitámos Madrid em Agosto de 2011